O arcebispo Gabriele Giordano Caccia, núncio apostólico nos Estados Unidos, defendeu a presença de uma voz moral no desenvolvimento da inteligência artificial. Ele falou durante um painel organizado pela Universidade de Georgetown em 9 de setembro.
O encontro discutiu a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, e o chamado para que o desenvolvimento tecnológico seja orientado ao bem comum. Os participantes observaram que o documento não apresenta políticas específicas, mas Caccia afirmou que existe uma necessidade de orientação moral sobre o tema.
Para o núncio, a possibilidade técnica não basta para justificar uma ação. “Nem tudo que é possível ser feito deve ser feito. Nem tudo que a tecnologia oferece deve ser aceito”, disse.
Caccia destacou que decisões que envolvem vidas humanas não devem ser entregues à inteligência artificial. A encíclica rejeita a ideia de agentes morais artificiais e afirma que máquinas não podem distinguir entre certo e errado de forma superior à consciência humana.
Leão XIV escreveu que o julgamento moral envolve consciência, responsabilidade pessoal e o reconhecimento do outro como pessoa. Por isso, segundo o texto papal, decisões letais ou irreversíveis não devem ser confiadas a sistemas artificiais.
O núncio também citou riscos no uso de algoritmos para definir o acesso a cuidados de saúde, emprego e segurança. Ele afirmou ter ouvido relatos de sistemas baseados em dados contaminados por preconceito e injustiça, capazes de gerar novas formas de exclusão e sofrimento.
Participação da sociedade
Caccia disse que a responsabilidade pelo debate não cabe apenas à liderança da Igreja. Segundo ele, católicos que trabalham em empresas, na engenharia e na economia também devem participar da discussão sobre os efeitos da inteligência artificial.
Jasmine Sun, jornalista que escreve sobre inteligência artificial e Vale do Silício, afirmou ter se surpreendido com o interesse de profissionais da indústria pela encíclica. Para ela, o motivo do lucro não é suficiente para orientar o desenvolvimento tecnológico.
Molly Kinder, CEO da Breakwater Initiative, disse que a Igreja oferece sabedoria e liderança moral. Caccia afirmou estar positivamente surpreso com a reação ao documento e disse que ele não pretendia apresentar todas as respostas, mas levantar questões que precisam ser enfrentadas em conjunto.








