A Missão de Investigação da ONU para o Irã afirmou haver “motivos razoáveis” para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques realizados no início da guerra. O relatório também aponta possíveis crimes contra a humanidade cometidos pelo regime iraniano durante a repressão a protestos anteriores ao conflito.
Os ataques atribuídos às forças americanas ocorreram em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra, contra uma escola em Minab e uma área residencial em Lamerd, no sul do Irã. O documento será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Em Minab, mais de 150 pessoas morreram, incluindo cerca de 120 menores de idade. A missão classificou o episódio como um ataque indiscriminado que provocou mortes e ferimentos de civis ou danos a bens civis. O grupo também afirmou que as forças americanas tinham conhecimento do risco de atingir um alvo civil.
Em Lamerd, o bombardeio atingiu um centro esportivo, uma escola primária vizinha e edifícios residenciais, deixando ao menos 22 mortos. A missão afirmou que um míssil PrSM espalhou cerca de 180 mil fragmentos de tungstênio por uma área ampla e não poderia ter sido direcionado contra um alvo militar específico nem limitado para reduzir os efeitos sobre civis.
A Casa Branca não havia se pronunciado sobre o relatório. Em março, Donald Trump atribuiu o ataque em Minab ao Irã. O Comando Central dos EUA negou ter realizado ataques contra alvos civis em Lamerd. O porta-voz Tim Hawkins também rejeitou a afirmação de que um míssil PrSM tenha sido usado, dizendo que a munição exibida em um vídeo seria compatível com um míssil de cruzeiro iraniano Hoveyzeh.
Repressão no Irã
A missão concluiu que violações cometidas pelo regime iraniano configuram crimes contra a humanidade, incluindo assassinato, prisão, tortura e outros atos desumanos contra a população civil.
O relatório de 18 páginas afirma que, nos protestos do final de 2025 e início de 2026, as forças de segurança usaram força letal contra manifestantes e transeuntes, incluindo crianças. Ao menos 221 crianças morreram, segundo a missão.
A ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou que pelo menos 7 mil pessoas foram mortas nos primeiros 50 dias dos protestos.








