PANAMÁ — Deputados do Panamá acusaram a China de tentar influenciar decisões da Assembleia Nacional depois que a embaixada chinesa criticou a criação de um grupo parlamentar para ampliar contatos com Taiwan.
A iniciativa foi formada na terça-feira (8). Segundo o Ministério das Relações Exteriores taiwanês, 45 dos 71 deputados panamenhos aderiram ao grupo, o equivalente a mais de 60% da Assembleia Nacional. Entre os participantes estão integrantes da direção do Parlamento e da comissão de relações exteriores.
A Embaixada da China na Cidade do Panamá afirmou ter “forte descontentamento e enérgico repúdio” à iniciativa. A representação disse que a aproximação contraria o princípio de “uma só China”, reconhecido oficialmente pelo Panamá desde 2017, e pediu que os parlamentares mudassem de posição e interrompessem os contatos.
Reação no Parlamento
Medin Jiménez, presidente do grupo, rejeitou a ideia de que a Assembleia deva seguir orientações de uma representação estrangeira sobre quais parlamentos pode procurar. Ele afirmou que a iniciativa continuará funcionando e declarou: “Eles têm a posição deles e nós temos a nossa como panamenhos”.
O deputado Luis Duke também criticou a manifestação chinesa. Para ele, a cobrança ultrapassou os limites de uma posição diplomática ao tentar influenciar uma decisão interna do Legislativo. Duke afirmou que o contato com Taiwan interessa ao Panamá pela experiência da ilha em tecnologia, inovação e semicondutores.
O presidente José Raúl Mulino não aderiu ao grupo e separou a posição do governo da decisão dos deputados. Em publicação no X, afirmou que a condução das relações exteriores cabe ao Executivo. Segundo Mulino, viagens e trocas de informações de parlamentares com Taiwan não significam apoio do governo à iniciativa.
O Panamá mantém relações diplomáticas com a China desde junho de 2017, quando rompeu os vínculos oficiais com Taiwan e reconheceu Pequim como o único governo legítimo da China. O acordo também prevê que o país não mantenha relações ou contatos oficiais com Taiwan.
O governo taiwanês recebeu a criação do grupo como um sinal de reaproximação e afirmou que pretende ampliar os contatos com os deputados panamenhos. O episódio ocorre durante divergências entre Panamá e China sobre empresas chinesas e a operação de terminais portuários próximos ao Canal do Panamá.








