ROMA — O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, defendeu que os países atuem em conjunto diante dos desafios da inteligência artificial (IA). Ele falou durante a conferência “Fé e Razão na Era da Inteligência Artificial”, realizada em 16 de setembro, no Palazzo Montecitorio, sede do Parlamento italiano.
No discurso principal do evento, Parolin abordou as possibilidades e os riscos da tecnologia. Ele agradeceu ao presidente italiano Sergio Mattarella pelo apelo recente a uma cooperação maior entre os Estados para definir regras de governança da IA e afirmou esperar uma resposta das nações.
“Minha preocupação é que existem países que, de fato, querem agir sozinhos”, disse o cardeal. Ele também pediu reflexão sobre os efeitos do desenvolvimento e do uso da tecnologia.
Homilias e inteligência artificial
Em conversa com jornalistas após o evento, Parolin afirmou que não utiliza IA para redigir suas homilias. “A inteligência artificial é só cabeça e não tem coração. Eu tento colocar um pouco de coração nas minhas homilias”, declarou.
O cardeal observou que a tecnologia já está presente em tarefas cotidianas, como a produção de resumos exibidos quando alguém lê conteúdos no computador. A posição dele se aproxima de um alerta feito pelo papa Leão XIV a padres da Diocese de Roma, durante uma sessão de perguntas e respostas em fevereiro.
Parolin também comentou a atuação da Santa Sé na busca por uma solução pacífica para o conflito entre Ucrânia e Rússia. Ele disse esperar que os esforços diplomáticos produzam resultados.
O arcebispo Paul Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados e organizações internacionais, esteve na Rússia de 25 a 27 de agosto para conversar com líderes do país sobre possíveis caminhos para resolver a guerra.








