A escritora britânica Jay Griffiths afirma que os animais podem ajudar os seres humanos a enfrentar doenças, perigos e desafios coletivos. A ideia é apresentada no livro Como Os Animais Nos Curam, publicado pela Editora Zahar, que reúne mitos, tradições e referências científicas sobre a relação entre pessoas e outras espécies.
A autora aborda a terapia assistida por animais, usada inclusive em hospitais, e relata casos de bichos que socorreram seus donos. Um deles é o de Lulu, uma porca de barriga de pote criada como animal de estimação por uma americana chamada Jo Ann.
Quando Jo Ann começou a sentir fortes dores no peito, estava sozinha e não conseguia ser ouvida. Lulu saiu por uma portinhola pequena, tentou parar carros deitando-se na pista e, depois de conseguir, levou o motorista até a casa. Ele chamou uma ambulância, e Jo Ann sobreviveu. Para Griffiths, o episódio demonstra inteligência, devoção e perseverança.
Lições da natureza
Griffiths também sustenta que os animais oferecem referências para a organização da vida em sociedade. Segundo ela, os lobos cuidam dos doentes e feridos, dividem alimentos e distribuem tarefas relacionadas aos filhotes. Por isso, a autora relaciona a alcateia a ideias de ética, equidade e cooperação.
As abelhas, diz Griffiths, ensinam a tomar decisões por consenso. As abelhas batedoras avaliam os locais e relatam o que encontram; um novo destino é escolhido quando todas dançam em uníssono. Cães e macacos-prego também são citados como espécies das quais os seres humanos podem aprender sobre justiça.
A escritora afirma que a sociedade ainda precisa reconhecer a crueldade das criações industriais e seus efeitos sobre os habitats de animais selvagens. Ela menciona a soja produzida em grandes áreas da Amazônia para alimentar animais de criação e relaciona esse processo à destruição de árvores e lares de espécies como as onças.
Para Griffiths, a crise climática e ambiental também envolve falta de atenção aos insetos, considerados essenciais à sobrevivência humana. Ela defende que a sociedade ouça conhecimentos indígenas e retome ensinamentos antigos sobre o papel dos animais na cura e no bem-estar.








