Uma revisão liderada pela Universidade de Oxford identificou que comportamentos de cuidado, brincadeira e amizade entre espécies diferentes também aparecem entre primatas. Publicado em setembro de 2026, o estudo analisou 427 interações e apontou que a disposição para criar vínculos com animais pode ter raízes evolutivas antigas.
A pesquisa reuniu vídeos e relatos de especialistas sobre 88 espécies de primatas e 127 tipos de animais parceiros, entre eles cães, gatos e aves. Em muitos casos, os primatas iniciaram aproximações amigáveis, com brincadeiras, carícias e compartilhamento de comida.
Também foram registrados episódios de adoção entre espécies. Neles, um animal protege e alimenta o filhote de outra espécie, como se fosse seu próprio descendente.
Casos observados
No Brasil, um grupo de macacos-prego cuidou de um filhote de sagui por pelo menos dez meses, com tolerância dos demais integrantes. Em um zoológico em Israel, um macaco-de-crista passou a proteger uma galinha.
Os exemplos indicam que a busca por companhia e a oferta de cuidado a animais de outras espécies podem fazer parte da história evolutiva dos primatas. A pesquisa relaciona essa tendência a características como curiosidade, tolerância e interesse por brincadeiras com seres diferentes.
A hipótese apresentada é que esses comportamentos ajudaram a formar a base biológica para a relação humana com animais de estimação. A convivência com pets, porém, é mais duradoura e envolve investimento contínuo de tempo, recursos e sentimentos.
Entre primatas e outras espécies, as interações costumam ser breves. Na natureza, a aproximação pode estar ligada à proteção ou à exploração do ambiente. Em cativeiro, a convivência em recintos também pode estimular comportamentos que não apareceriam em condições naturais.








