MOSCOU — Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira (1º) que a Rússia poderá discutir o uso de todas as armas disponíveis em seu arsenal caso sofra um ataque direto de países ocidentais. A declaração foi feita durante o Fórum Valdai, em meio ao aumento das tensões com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por causa de Kaliningrado.
Questionado sobre uma advertência anterior de Moscou à aliança, Putin afirmou que um ataque à Federação Russa, incluindo contra Kaliningrado ou outros territórios, colocaria imediatamente o uso de todas as armas russas em discussão. “Isso é inevitável”, disse.
A Rússia já havia alertado que poderia usar armas nucleares caso países da Otan tentassem isolar Kaliningrado do restante do país. O território fica no Mar Báltico, separado geograficamente da Rússia e cercado por integrantes da aliança. Faz fronteira com a Polônia e a Lituânia, abriga a principal base da Frota do Báltico e possui sistemas de mísseis Iskander capazes de transportar ogivas nucleares.
Tensão em Kaliningrado
Em comunicado divulgado nesta semana, a embaixada russa na Irlanda afirmou que Moscou estaria preparada para usar todo o arsenal, incluindo armas nucleares, para defender o território. O governo russo acusa a Otan de ampliar a pressão militar com exercícios no Mar Báltico e diz ter informações sobre a preparação de um bloqueio aéreo e naval.
A Otan nega que esteja planejando uma ação contra Kaliningrado. A porta-voz Allison Hart confirmou o recebimento de uma comunicação escrita da Rússia e criticou a ameaça de uso da força e a retórica nuclear. Segundo ela, as atividades militares da aliança não representam ameaça ao território russo.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a resposta à mensagem de Moscou destacou o caráter defensivo da organização e pediu o fim das ameaças nucleares.
Putin disse que a Rússia não pretende atacar países europeus e acusou governos ocidentais de alimentar a escalada ao falar sobre uma possível guerra nos próximos anos. “Não temos intenção de atacar ninguém, nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050”, afirmou. Ele acrescentou que Moscou responderá caso seja alvo de uma agressão e alertou que retaliações sucessivas podem levar a uma escalada irreversível.








