A Letônia vai negociar sua entrada na Forward Deterrence, iniciativa francesa criada para ampliar a proteção estratégica dos aliados europeus. O país é integrante da Otan e faz fronteira diretamente com a Rússia.
O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, anunciou nesta terça-feira (22) que o presidente francês, Emmanuel Macron, concordou em iniciar formalmente as conversas. Uma delegação da França deve viajar à Letônia nas próximas semanas para tratar dos termos da participação.
Os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa da Letônia deverão elaborar uma proposta de cooperação e um cronograma para as negociações. Macron também se comprometeu a ampliar a presença militar francesa no país, principalmente em atividades de defesa aérea.
A decisão ocorre enquanto os países bálticos demonstram preocupação com as ações da Rússia. O presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, disse nesta semana, em encontros realizados paralelamente à Assembleia-Geral da ONU, que Moscou tem aumentado a pressão sobre os países bálticos e outros governos europeus que apoiam a Ucrânia. Para ele, o movimento eleva o risco de escalada na região.
Como funciona a iniciativa francesa
Apresentada por Macron em março, a Forward Deterrence permite que aliados europeus participem de exercícios relacionados à dissuasão francesa e de atividades convencionais ligadas às forças nucleares. Em determinadas situações, elementos das forças aéreas estratégicas da França também poderão ser deslocados temporariamente para esses países.
O programa não prevê a transferência de armas nucleares para o controle dos participantes nem garante automaticamente o uso do arsenal francês em sua defesa. A decisão de ultrapassar o chamado “limiar nuclear” continuará sob responsabilidade exclusiva do presidente da França.
A Letônia seguirá o exemplo da Finlândia, que anunciou sua entrada na iniciativa em 14 de setembro. França e Polônia já formaram um grupo de trabalho sobre dissuasão nuclear, enquanto Paris e Berlim coordenam exercícios e discussões sobre capacidades convencionais, defesa antimísseis e o arsenal francês. A França afirma que esses acordos complementarão a dissuasão nuclear da Otan, sem substituí-la.








