O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que operações industriais de golpes online ligadas ao tráfico de pessoas representam uma ameaça direta à segurança nacional do país. A avaliação consta do Relatório sobre Tráfico de Pessoas de 2026, divulgado em 8 de outubro.
Segundo o documento, organizações criminosas transnacionais, em sua maioria comandadas por cidadãos chineses e estabelecidas há anos no Sudeste Asiático, ampliaram sua atuação para a África, o Oriente Médio, a Europa e a América Latina. Os grupos aplicam golpes de romance, jogos de azar e criptomoedas em mais de 125 países.
Americanos foram os principais alvos e perderam pelo menos US$ 18,2 bilhões em 2025 para complexos que operavam no Sudeste Asiático. As organizações também recrutaram pessoas de pelo menos 80 países por meio de falsas ofertas e outros esquemas. Muitas foram submetidas a trabalho forçado em complexos vigiados, com uso de violência, exploração sexual e intimidação. De acordo com o relatório, vítimas eram frequentemente obrigadas a cometer crimes.
Governos citados
O relatório apontou 12 governos por uma política ou padrão de tráfico de pessoas patrocinado pelo Estado: Afeganistão, Belarus, Birmânia, Camboja, China, Cuba, Eritreia, Irã, Coreia do Norte, Rússia, Sudão do Sul e Sudão.
Também foram listados 14 países cujas forças ou milícias apoiadas pelo Estado recrutaram ou usaram crianças durante hostilidades, inclusive como escravas sexuais. A lista inclui Afeganistão, Birmânia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Etiópia, Irã, Nigéria, Rússia, Ruanda, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Venezuela e Iêmen.
Israel retornou ao Nível 1, a classificação mais alta, pela primeira vez desde 2021, após cinco anos no Nível 2. A República do Congo caiu para o Nível 3, o mais baixo. O relatório afirmou que essa categoria pode restringir determinadas formas de assistência dos Estados Unidos, incluindo assistência de segurança.
O documento avaliou o período de 1º de abril de 2025 a 31 de março e foi elaborado com informações de embaixadas, autoridades governamentais, organizações não governamentais e internacionais, relatórios publicados e outras fontes. O deputado Chris Smith disse que os governos precisam ser responsabilizados quando não punem traficantes nem protegem vítimas.







