Um relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos aponta que organizações criminosas transnacionais, lideradas majoritariamente por chineses, ampliaram golpes digitais para uma escala industrial. O documento foi divulgado em 8 de outubro e afirma que as redes representam uma ameaça à segurança nacional americana.
As operações funcionam em complexos vigiados, onde pessoas de cerca de 80 países são recrutadas por meio de anúncios falsos de emprego. Depois, as vítimas são submetidas a trabalho forçado, violência, exploração sexual e intimidação. Presas nesses locais, elas são obrigadas a aplicar golpes contra pessoas de diferentes países.
Entre os principais esquemas estão golpes de romance virtual, plataformas fraudulentas de jogos de azar e falsas oportunidades de investimento em criptomoedas. Segundo o relatório, as redes surgiram no Sudeste Asiático e se espalharam pela África, pelo Oriente Médio, pela Europa e pela América Latina.
Perdas e acusações contra governos
Pessoas em mais de 125 países foram enganadas, de acordo com o documento. Nos Estados Unidos, os prejuízos chegaram a pelo menos US$ 18,2 bilhões em 2025. O relatório afirma que o dinheiro obtido também financia outras atividades ilícitas e pode desestabilizar comunidades locais.
O documento cita 12 governos com uma política ou padrão de tráfico de pessoas patrocinado pelo Estado. Entre eles estão China, Rússia, Coreia do Norte, Irã e Venezuela. As acusações envolvem o uso de trabalho forçado em programas financiados pelo governo, além da exploração sistemática de minorias e do recrutamento de crianças em conflitos armados.
Esses países foram classificados no Nível 3, considerado o mais baixo na lista de comprometimento com o combate à escravidão moderna. A classificação pode levar os Estados Unidos a impor restrições a assistências financeiras e de segurança.
O Relatório sobre Tráfico de Pessoas, conhecido como TIP Report, é usado pelo governo americano como instrumento de pressão diplomática e econômica. A medida busca incentivar a adoção de padrões mínimos de proteção às vítimas e a punição de traficantes.







