SÃO PAULO — A Anvisa autorizou a importação e o uso excepcional de um medicamento experimental para o influenciador de aviação Lito Sousa, aceito em um programa de uso compassivo. A substância ainda não foi testada em humanos.
A liberação ocorreu após uma operação conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Receita Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na madrugada deste sábado, 12. O remédio foi levado diretamente do avião para um helicóptero, que fez o transporte até o Einstein Hospital Israelita, sem etapas intermediárias de logística.
A Receita Federal informou que o despacho aduaneiro foi concluído em poucos minutos após a chegada ao país. O órgão classificou a substância como “medicação de uso urgente” e explicou que seu “potencial terapêutico diminui rapidamente com o passar das horas”.
Lito foi diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição rara e ainda sem cura. No início do mês, a empresária Mila Seidl, esposa do influenciador, afirmou em um vídeo que uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos havia dado resposta positiva ao uso compassivo de uma medicação voltada ao controle de doença priônica.
O uso compassivo pode ser autorizado para pacientes com doenças graves que ainda não têm tratamentos eficazes aprovados por agências regulatórias. A DCJ integra o grupo das doenças priônicas, condições neurodegenerativas causadas por príons, partículas infecciosas proteicas.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
Os príons surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo mudam de formato e se acumulam no cérebro. A origem da proteína anormal é desconhecida em muitos casos. A DCJ é a forma mais comum de doença priônica em humanos e um tipo de Encefalopatia Espongiforme Transmissível.
De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas podem incluir demência, desordem cerebral, perda de memória, ataxia, afasia, falta de coordenação motora, distúrbios visuais, espasmos musculares e alterações de comportamento. Também podem ocorrer insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.
A evolução da doença é rápida e progressiva. A ocorrência anual da forma mais comum de DCJ é estimada em 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas no mundo.
Entre 2005 e 2021, o Ministério da Saúde registrou no Brasil 1. 576 notificações de casos suspeitos. Os registros foram mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.







