NOVA YORK — Donald Trump e Delcy Rodríguez terão um encontro nesta terça-feira (22/9), durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas. A conversa ocorrerá em uma recepção oferecida pelo presidente dos Estados Unidos a líderes mundiais, à margem da programação oficial da ONU.
O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, afirmou que será uma conversa informal, e não uma reunião bilateral formal. Será o primeiro encontro presencial entre Trump e Delcy desde que forças americanas capturaram o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
A agenda acontece enquanto Washington e Caracas negociam acordos para a exploração de recursos venezuelanos. A delegação comandada por Delcy iniciou nessa segunda-feira (21/9), em Nova York, reuniões com autoridades e instituições financeiras sobre energia, dívida e mineração.
Petróleo e outros setores
A aproximação econômica inclui um acordo anunciado por Trump no fim de agosto sobre reservas de petróleo da Venezuela. Segundo a Casa Branca, o pacto dá aos Estados Unidos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas e envolve 17 campos petrolíferos, concedidos por 100 anos a uma empresa privada venezuelana.
O acordo prevê direitos de governança e participação econômica do governo americano. Trump disse que a iniciativa amplia a segurança energética dos Estados Unidos e ajuda na recuperação econômica venezuelana. Delcy afirmou anteriormente que a Venezuela manterá a posse e a soberania sobre o petróleo.
Neste mês, a Continental Resources assinou um memorando de entendimento para atuar na Faixa do Orinoco. A Heeney Capital firmou um contrato relacionado à operação e à exportação de uma mina de ouro. A ExxonMobil também negocia um possível retorno aos campos petrolíferos venezuelanos.
Dívida e transição política
Antes da conversa com Trump, Delcy se reuniu com Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial. Ela também tem uma reunião marcada com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
A agenda inclui a reestruturação da dívida soberana e da estatal petrolífera PDVSA, estimada por analistas entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões. O BID prepara um plano de atuação de dois anos na Venezuela, com foco em energia elétrica e proteção social.
A visita é a primeira de Delcy aos Estados Unidos desde que assumiu a Presidência da Venezuela, em janeiro. Trump afirmou no início deste mês que o país ainda não estaria preparado para novas eleições, mas disse que mantém uma relação positiva com o governo de Delcy. Ela declarou que a Venezuela realizará eleições quando estiver “pronta”.








