WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. Em Washington, nesta sexta-feira (2/10), ele afirmou que acompanha o pleito “muito de perto”, às vésperas do primeiro turno, marcado para domingo (4/10).
Questionado sobre um eventual apoio dos Estados Unidos ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump não mencionou o candidato. “Estamos acompanhando toda essa situação e observando essa eleição muito de perto”, respondeu.
Na quinta-feira, o presidente americano já havia destacado a importância da eleição brasileira, chamado o Brasil de “muito importante” e elogiado a população do país. Flávio Bolsonaro disputa o Palácio do Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Relações políticas e tensões entre governos
Flávio esteve em Washington e se reuniu com Trump na Casa Branca. O encontro ocorreu durante a tentativa do senador de estreitar a relação com o presidente americano, aliado político de Jair Bolsonaro. Trump, porém, não anunciou apoio público à candidatura.
A ausência de um endosso ao senador contrasta com manifestações de Trump em eleições presidenciais de outros países latino-americanos. Na Colômbia, ele apoiou Abelardo de la Espriella durante a campanha. O colombiano venceu a eleição e assumiu a Presidência. Trump também afirmou recentemente que todos os candidatos apoiados por ele em eleições na América Latina venceram.
A declaração ocorre em meio à tensão entre Washington e Brasília. O governo americano adotou medidas comerciais contra produtos brasileiros e impôs sanções relacionadas a autoridades e organizações brasileiras. O governo Lula passou a denunciar o que considera interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.
Na área de segurança, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão foi contestada pelo governo brasileiro.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) comunicou a autoridades europeias preocupações sobre interferência estrangeira no processo eleitoral. Trump não detalhou quais aspectos da eleição acompanha nem informou se sua administração pretende adotar medidas relacionadas ao pleito.
Poucas horas antes da declaração, os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil por “questões de segurança”. Funcionários da Embaixada em Brasília haviam sido orientados a trabalhar de casa após a representação receber uma ameaça.








