A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (28) sanções contra dez autoridades russas envolvidas na retirada do Yabloko das eleições para a Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. O partido era a única legenda do país com posição abertamente contrária à guerra na Ucrânia.
A lista inclui três juízes da Suprema Corte da Rússia e um funcionário da Procuradoria-Geral. Eles participaram da decisão que impediu a chapa nacional do Yabloko de disputar a eleição, realizada entre 18 e 20 de setembro.
Medidas e exclusão eleitoral
As punições determinam o congelamento de eventuais bens dos atingidos na União Europeia. Cidadãos e empresas do bloco também ficam proibidos de fornecer dinheiro ou outros recursos econômicos a essas autoridades.
O Conselho da União Europeia afirmou que os sancionados participaram de ações associadas à repressão da oposição e ao enfraquecimento da democracia e do Estado de Direito na Rússia. Para o bloco, a retirada do Yabloko reduziu as alternativas disponíveis aos eleitores.
A Suprema Corte determinou a exclusão em agosto, após uma ação do partido Rodina. O processo citou doações ao Yabloko feitas por russos que tinham recebido dinheiro do exterior, manifestações de apoio à legenda em redes sociais bloqueadas ou limitadas na Rússia e alegadas infrações de direitos autorais.
O Yabloko recorreu e declarou que estava sendo punido por condutas pelas quais não tinha responsabilidade direta. A apelação não recolocou sua lista nacional na disputa.
Na eleição, o Rússia Unida, partido de Vladimir Putin, conquistou 349 das 450 cadeiras da Duma. O Yabloko ficou fora da votação nacional.
Sanções por processos contra opositores
O pacote também alcançou autoridades envolvidas em ações contra dirigentes do Yabloko. Entre elas está o juiz que condenou Lev Shlosberg, vice-presidente da legenda e crítico da guerra, a 11 anos e um mês de prisão. O promotor responsável pelo pedido da sentença também foi incluído.
Shlosberg recebeu a condenação por acusações de desacreditar as Forças Armadas russas e divulgar informações consideradas falsas pelas autoridades sobre a guerra na Ucrânia. Juízes envolvidos nos processos contra Maxim Kruglov e Nikolai Rybakov também entraram na lista.
Com as novas inclusões, o regime europeu relacionado aos direitos humanos e à repressão política na Rússia passou a abranger 108 pessoas e sete entidades. O mecanismo foi criado em 2024, após a morte de Alexei Navalny em uma prisão russa.








