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Política

Recursos russos sustentam expansão nuclear e obras na Coreia do Norte

Dinheiro recebido por tropas e material enviados à Rússia financia instalações militares, infraestrutura e projetos civis no país asiático.

Recursos russos sustentam expansão nuclear e obras na Coreia do Norte

A Coreia do Norte ampliou projetos militares e de infraestrutura após receber recursos da Rússia pela participação na guerra na Ucrânia. A AIEA informou, na 4ª feira (9.set.2026), ter identificado uma nova instalação de enriquecimento de urânio no Complexo Nuclear de Yongbyon.

A estrutura tem cerca de 28 cascatas de centrífugas e, segundo a agência, pode permitir a produção anual de 85 kg de urânio altamente enriquecido para uso militar — quantidade suficiente para 4 ogivas nucleares.

Imagens de satélite também indicam obras de ampliação e modernização nos portos de Nampo, na costa Oeste, e Chongjin, na costa Leste da península. Os locais devem receber uma nova produção de navios de guerra.

Na 2ª feira, Kim Jong-un participou, em Wonsan, da incorporação do destróier Kang Kon, de 5.000 toneladas. O líder norte-coreano declarou que a embarcação pode lançar armas nucleares e realizar um golpe retaliatório contra os inimigos.

Obras e conexão com a Rússia

A Coreia do Norte também direciona recursos para estradas, portos e pontes. A melhoria da infraestrutura facilita o envio de tropas para a Rússia e a entrada de tecnologia militar, energia e bens de consumo.

Na 3ª feira, os dois países inauguraram a 1ª ponte rodoviária sobre o rio Tumen. Postos alfandegários e instalações de armazenagem estão sendo construídos dos 2 lados da via fluvial. A ligação deve ampliar o transporte de caminhões, reduzir custos e permitir o deslocamento de norte-coreanos, armas e munições para a Rússia.

A ponte integra a expansão da parceria estratégica anunciada por Kim e pelo presidente Vladimir Putin em 2024. Para Marcus Noland, vice-presidente executivo do Instituto Peterson de Economia Internacional, projetos de conexão entre os países avançaram de forma irregular desde antes da pandemia.

Noland afirmou que a economia norte-coreana parece ter crescido nos últimos anos com receitas ligadas à guerra na Ucrânia e ao cibercrime. Segundo ele, Pyongyang e cidades na fronteira com a China estão em situação econômica relativamente melhor, enquanto o interior permanece estagnado.

Recursos para projetos civis

Em maio, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul estimou que a Coreia do Norte recebeu ao menos US$ 7,7 bilhões (R$ 39,2 bilhões) em ajuda financeira e benefícios econômicos da Rússia nos 3 anos anteriores. O valor pode ter alcançado US$ 14 bilhões (R$ 71,3 bilhões).

O montante equivale a uma parcela significativa do PIB norte-coreano, que foi de US$ 26,6 bilhões (R$ 135,65 bilhões) em 2024. Parte do dinheiro é destinada à Política de Desenvolvimento Regional 20 X 10, apresentada em janeiro de 2024. O programa prevê instalações industriais modernas em 20 cidades regionais por ano durante os próximos 10 anos.

Martyn Williams, pesquisador sênior do programa para a Coreia do Centro Stimson, disse que estão sendo planejadas fábricas e hospitais, além de novos distritos em Pyongyang e dezenas de milhares de casas em áreas rurais. Ele afirmou que a manutenção das estruturas continua sendo um desafio.

Williams citou o caso de um hospital novo no centro de Pyongyang, concluído há algum tempo, mas que permaneceu sem uso até a obtenção de medicamentos e equipamentos.

Dependência das receitas da guerra

Analistas afirmam que ainda não está claro como a Coreia do Norte será afetada quando a guerra na Ucrânia terminar. Noland avaliou que o fim das receitas relacionadas ao conflito pode provocar uma queda econômica e descontentamento após um período de expectativas crescentes.

“Não estou dizendo que isso seria suficiente para desestabilizar o sistema”, afirmou Noland. Para ele, uma transição para a paz na Ucrânia traria desafios que o regime teria de administrar.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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