Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, articula a votação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 enquanto busca apoio para disputar a reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027.
A estratégia é aproximar Alcolumbre do Palácio do Planalto, do PT e de outros partidos de centro-esquerda. A proposta, que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, tem apoio do governo Lula e apelo popular. O presidente do Senado espera transformar a tramitação em apoio político para sua candidatura à Mesa Diretora.
A movimentação ocorre em meio ao avanço da bancada conservadora e ao desgaste de Alcolumbre no Amapá. Os candidatos apoiados por ele para o governo e para as vagas no Legislativo foram derrotados no estado. No cenário nacional, o PL elegeu 28 senadores e passou a cobrar o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes.
Rito e resistência
A aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição exige dois turnos de votação, com o apoio de pelo menos 49 senadores em cada etapa. O regimento também prevê cinco sessões de discussão no primeiro turno e três no segundo.
Aliados do governo planejam apresentar um requerimento de calendário especial para concentrar várias sessões de debate no mesmo dia, antes do segundo turno das eleições. Alcolumbre sinalizou que aceitará a medida caso haja um protocolo formal dos líderes.
A oposição, liderada por Rogério Marinho, critica a pressa e afirma que um tema trabalhista sensível não deveria ser votado durante uma campanha eleitoral. Os parlamentares também dizem que a mudança dependeria de leis complementares para ser aplicada e veem a iniciativa como uma tentativa de desgastar Flávio Bolsonaro, que disputa a eleição presidencial.
A oposição de centro-direita se afastou de Alcolumbre ainda por causa dos 134 pedidos de impeachment mantidos sem andamento. O grupo passou a sinalizar preferência por nomes como Rogério Marinho para o comando do Senado.








