A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, afirmou que um eventual governo do candidato pretende reduzir gastos, privilégios e benefícios antes de discutir mudanças no ganho real do salário mínimo ou uma nova reforma da Previdência. Para ela, um ajuste fiscal suficiente poderia tornar desnecessário esse debate.
Daniella defendeu que a revisão das despesas comece pela máquina pública, pelos privilégios tributários e pelos supersalários. “Não há moral com a população brasileira para discutir qualquer outro ajuste estruturante enquanto a gente não der transparência para o que está acontecendo com o dinheiro público”, declarou.
A equipe prepara uma proposta para trocar o atual arcabouço fiscal por uma regra que considere também a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto. A campanha avalia criar uma instância de governança fiscal com participação dos 3 Poderes e suporte técnico para orientar a redução das despesas.
Segundo Daniella, Flávio se comprometeu a apresentar, durante uma eventual transição, medidas para reorganizar as contas públicas. A campanha também planeja diminuir a estrutura administrativa federal. Questionada sobre o número de ministérios que seriam cortados, ela respondeu: “Dez são garantidos”. A lista de pastas ainda não foi definida. Atualmente, o governo federal tem 38 ministérios, segundo a coordenadora.
Daniella também propôs uma administração mais profissional dos ativos da União e das estatais. A estimativa da campanha é de mais de R$ 6 trilhões em ativos, incluindo imóveis, dívida ativa, empresas públicas e contratos de royalties. Parte de uma eventual monetização seria destinada à redução da dívida pública e ao financiamento de infraestrutura.
Sobre o salário mínimo, ela não confirmou se o ganho acima da inflação seria mantido ou encerrado. Disse que a prioridade seria cortar desperdícios e despesas antes de avaliar alterações nos benefícios sociais e respondeu que talvez a discussão nem fosse necessária.
A coordenadora afirmou ainda que mudanças na jornada, como a escala 6 X 1, deveriam ser debatidas depois da eleição. A campanha rejeita a adoção de um único regime pelo governo. Na área tributária, Daniella defendeu uma “reforma da reforma”, alegando que o texto aprovado acumulou exceções, aumentou a alíquota projetada do Imposto sobre Valor Agregado e pode afetar especialmente os serviços. Ela também apoiou a autonomia do Banco Central.








