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Política

Enéas volta ao debate da direita com vídeos, documentário e disputa eleitoral

Levantamento encontrou 403 publicações favoráveis ao ex-deputado entre 21 de julho e 30 de agosto.

Enéas volta ao debate da direita com vídeos, documentário e disputa eleitoral
Foto: Rosane Marinho - 1998/Folhapress

A imagem de Enéas Carneiro voltou a circular entre grupos e páginas de direita, que recuperam vídeos, entrevistas e declarações antigas para apresentá-lo como um político incompreendido e antecipador de debates atuais. Um levantamento identificou 403 publicações favoráveis ao ex-candidato à Presidência e ex-deputado federal entre 21 de julho e 30 de agosto.

A circulação foi impulsionada por dois fatores: o documentário “Meu Nome É Enéas”, da Brasil Paralelo, e a reação a críticas atribuídas a Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão. Entre os conteúdos analisados, 145 estavam relacionados ao documentário ou à empresa, enquanto 44 tratavam das declarações de Renan.

Onde a imagem circula

O Instagram reuniu 194 dos 403 registros, o equivalente a 48% do total. As publicações destacam a formação de Enéas como médico e professor e tentam deslocar o foco da caricatura associada à barba, ao bordão e aos discursos em tom elevado.

Enéas disputou três vezes a Presidência e ficou conhecido pela frase “Meu nome é Enéas”. Ele fundou e liderou o Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), extinto em 2006. Em 2002, foi o deputado federal mais votado do país, com mais de 1,5 milhão de votos por São Paulo.

As postagens também retomam suas posições sobre soberania, economia, recursos naturais, tecnologia nuclear, Forças Armadas e atuação do Estado em setores estratégicos. Termos como “gênio”, “visionário” e “profeta” aparecem em conteúdos que defendem a ideia de que Enéas “estava certo”.

Documentário e reação a críticas

A Brasil Paralelo gastou entre R$ 4.200 e R$ 5.500 para impulsionar ao menos cinco anúncios do documentário. As peças alcançaram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A reação às críticas de Renan Santos recupera a formação médica e a trajetória intelectual de Enéas para contestar a avaliação do candidato. O movimento transforma a discussão em uma disputa sobre o legado do ex-deputado dentro da própria direita.

A cientista política Priscila Lapa afirma que Enéas era conservador, mas pertencia a uma direita nacionalista, com defesa da soberania e de forte atuação estatal na economia. Para ela, a recuperação atual seleciona partes desse pensamento e pode retirar suas posições do contexto.

Lapa avalia que Enéas identificava questões ainda debatidas, como política industrial, dependência tecnológica e soberania nacional, mas apresentava soluções marcadas pelo radicalismo. A pesquisadora também atribui parte de sua popularidade à comunicação rápida e performática e à autoridade associada à formação médica e acadêmica.

Aproximações eleitorais

A circulação de conteúdos também chegou à eleição de 2026. Vinte publicações comparam Enéas a Augusto Cury, candidato do Avante. Outros conteúdos retomam embates antigos com Lula ou associam o ex-deputado a Jair Bolsonaro e a nomes atuais da direita.

Thiago Neves, vereador de Panorama (SP) e candidato do PL a deputado federal por São Paulo, pretende usar o nome de urna “Thiago Neves, o Enéas do Bolsonaro”. O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação, sob o argumento de que Enéas e Bolsonaro não são sobrenomes do candidato e que a escolha pode confundir eleitores e provocar migração de votos.

A defesa afirma confiança na manutenção do nome apresentado no registro. O advogado Cristiano Vilela declarou: “O cliente está confiante de que poderá manter o nome apresentado no registro”.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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