O governo de Donald Trump discute formas de ampliar o acesso dos Estados Unidos aos recursos minerais da Venezuela, poucos dias depois de fechar um acordo para explorar reservas de petróleo do país. As conversas envolvem medidas para estimular empresas americanas a investir principalmente em ouro e em minerais estratégicos.
A administração americana avalia facilitar esses investimentos e trata o setor mineral venezuelano como uma nova frente de expansão econômica. A iniciativa integra a estratégia da Casa Branca para reduzir o espaço de China e Rússia na economia da Venezuela.
O acordo anunciado por Trump sobre o petróleo permite aos Estados Unidos explorar cerca de 65 bilhões de barris distribuídos por campos venezuelanos. Empresas americanas terão participação importante na exploração por mais de 20 anos, enquanto Washington poderá adquirir parte da produção em condições preferenciais.
Mineração no sul do Orinoco
A Venezuela tem reservas de ouro e grandes depósitos de minério de ferro, bauxita e outros minerais. Parte desses recursos está concentrada ao sul do rio Orinoco, onde a mineração ganhou importância durante os anos de chavismo e passou a ser associada à atuação de grupos criminosos e à exploração ilegal.
O Arco Mineiro do Orinoco foi criado pelo regime venezuelano em 2016 como uma área destinada à mineração. O projeto ganhou relevância durante a queda da produção de petróleo, quando Caracas buscava novas fontes de receita.
Organizações internacionais denunciaram a presença de grupos armados, redes criminosas e operações clandestinas na região, além de danos ambientais. A entrada de empresas americanas pode reorganizar áreas que permaneceram sob influência de estruturas ligadas ao chavismo e de grupos que atuam à margem do Estado.
O interesse dos Estados Unidos também ocorre durante a tentativa de reduzir a dependência da China em cadeias consideradas essenciais para a indústria. Esses minerais são usados em equipamentos militares, componentes eletrônicos, baterias, sistemas de energia e tecnologias avançadas. A China tem posição dominante no processamento de vários desses produtos.
Trump colocou a busca por novas fontes minerais entre as prioridades de sua política econômica e externa. O governo americano tenta ampliar acordos e investimentos em países, incluindo o Brasil, capazes de fornecer matérias-primas fora das cadeias controladas pela China.








