SÃO PAULO — A produtora Karina da Gama afirmou que os recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) foram destinados a projetos sociais, e não à produção de Dark Horse. Ela também negou ter mantido relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Karina preside o ICB, que recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para executar os projetos Lutando pela Vida, de artes marciais, e Jovem Empreendedor. Frias também atua na produção do filme, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A produtora disse que sofre pressão para fazer uma delação, mas afirmou que não pretende se tornar “um novo Mauro Cid”. Segundo ela, não há informações sob sua responsabilidade capazes de incriminar outras pessoas.
“Tudo que a gente fez foi um filme”, declarou Karina. Ela afirmou ainda que foi contratada para realizar projetos culturais e sociais, e não para executar um projeto criminoso.
Relações investigadas
Karina disse que sempre acreditou que o investidor inicial do filme fosse o fundo Havengate, originalmente voltado para imóveis no Texas. O inquérito aponta uma ligação entre o fundo, a Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, e Vorcaro.
Freixo tem uma delação homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Ele afirma ter repassado US$ 12,3 milhões ao fundo por ordem de Vorcaro e após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mensagens divulgadas antes do levantamento dos sigilos mostram Flávio cobrando o banqueiro pelo patrocínio.
“Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora”, afirmou Karina. Ela também negou qualquer relação da empresa com o banqueiro ou com companhias ligadas a ele.
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino por envolver indícios de uso de emendas parlamentares para financiar o projeto. A investigação começou na Polícia Civil de São Paulo, que analisava suspeitas de fraude em um contrato entre o ICB e a prefeitura de São Paulo para fornecer internet Wi-Fi. Após a identificação das emendas, o caso foi enviado ao Supremo.
Mais de 50 processos relacionados ao caso Master tiveram sigilos levantados. A Corte se prepara para um julgamento nesta terça-feira (15) sobre a crise após Mendonça divulgar um relatório da Polícia Federal que detalha relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.







