SÃO PAULO — Luiz Inácio Lula da Silva pediu votos para José Dirceu, candidato a deputado federal por São Paulo, e chamou a possível eleição de reparação de uma injustiça. O apoio marca a tentativa de retorno à política do ex-chefe da Casa Civil, cassado no mensalão e posteriormente preso.
Dirceu e Antonio Palocci foram ministros de grande influência nos governos de Lula. Mais de duas décadas depois, os dois seguem trajetórias opostas: Dirceu voltou ao centro da articulação política, enquanto Palocci deixou a militância partidária e atua como consultor empresarial em São Paulo.
Caminhos opostos após a Lava Jato
Dirceu foi condenado por compra de apoio parlamentar e por desvios investigados na Operação Lava Jato. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a prescrição da condenação, anulou atos do ex-juiz Sergio Moro e estendeu a ele o benefício anteriormente concedido a Lula.
Palocci foi ministro da Fazenda de Lula e chefe da Casa Civil durante o governo de Dilma Rousseff. Preso na Lava Jato, tornou-se colaborador da Polícia Federal. Em 2025, o ministro Dias Toffoli, do STF, anulou atos da operação contra Palocci, mas manteve a delação premiada.
O depoimento foi dividido em 23 capítulos e alcançou Lula, Dilma, dirigentes do PT, bancos e empreiteiras. Em vídeo gravado em 2017, Palocci afirmou que Lula teria feito um “pacto de sangue” com a Odebrecht e relacionado a empreiteira a um sítio em Atibaia e ao terreno do Instituto Lula. Também mencionou uma “conta corrente informal” de R$ 300 milhões para o PT.
Os processos contra Lula relacionados aos relatos foram arquivados. A delação, porém, rompeu a relação política entre Palocci e o ex-presidente. Atualmente, o vídeo voltou a circular no contexto eleitoral, inclusive em publicação de Flávio Bolsonaro, que combinou declarações de Lula com trechos do depoimento. O PT pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a remoção do material, sob alegação de descontextualização.
A campanha de Dirceu também recebeu apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin, que pediu votos para o ex-ministro. Aos 80 anos, Dirceu busca retornar à Câmara dos Deputados, enquanto Palocci permanece afastado da política partidária.








