O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no domingo (27.set.2026) que pretende manter policiais permanentemente nas comunidades e criar uma nova força nacional para combater o crime organizado. As propostas foram apresentadas em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, uma semana antes do 1º turno das eleições.
Lula disse que pretende estudar uma mudança na legislação para incorporar jovens que deixam as Forças Armadas após o período de serviço. A ideia é aproveitar a formação profissional e a experiência adquirida por esses recrutas em uma estrutura federal voltada à segurança.
O presidente afirmou ter discutido a proposta com o comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva. Segundo Lula, o objetivo é encontrar uma forma legal de manter parte desses profissionais no serviço público.
Presença do Estado
A estratégia para as comunidades, segundo Lula, não deve se restringir a operações policiais. Ele defendeu a combinação de segurança com políticas de educação, formação profissional, cultura e lazer. Também afirmou que a polícia deve permanecer nos territórios, em vez de atuar apenas em ações pontuais, que permitiriam a retomada das áreas por grupos criminosos após a saída das forças de segurança.
Lula declarou que não defende uma ocupação militar e disse que o uso de inteligência poderia reduzir em 50% a “atividade bruta” das operações. Ele também criticou ações baseadas somente em resultados letais e afirmou que o Estado precisa continuar presente depois das operações.
A proposta está ligada à defesa de uma nova estrutura federal de segurança. Caso a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública seja aprovada, Lula disse que pretende criar um Ministério da Segurança Pública e uma “polícia especial” para atuar em diferentes situações.
A ampliação da participação da União na segurança pública está relacionada à PEC 18 de 2025, que prevê maior integração entre órgãos federais, estaduais e municipais e a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição. Lula afirmou ainda que o combate deve priorizar as lideranças e o financiamento das facções, com a meta de “asfixiar economicamente” esses grupos e atingir o “andar de cima” das organizações criminosas.








