RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a rejeitar nesta sexta-feira (18) a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante um evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, após um documento do governo norte-americano cobrar medidas mais agressivas contra as duas facções.
O documento afirma que o Brasil não enfrentou adequadamente os grupos, já classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras. Também sustenta que as facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
“Não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou Lula. Para o presidente, o terrorismo está relacionado à disputa pelo poder, enquanto as organizações criminosas atuam principalmente sobre territórios e atividades econômicas.
Lula associou o conceito de terrorismo à investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele afirmou que o plano teria previsto as mortes dele próprio, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“Isso é terrorismo de Estado”, disse o presidente, ao mencionar o plano. Lula também reconheceu que a ação das facções produz efeitos semelhantes ao terror em áreas dominadas pelo crime, com ameaças a famílias submetidas ao controle territorial e cobranças ilegais.
Plano de segurança
Durante o evento, Lula defendeu que o governo precisa “ganhar do crime organizado” e retomar áreas sob domínio de grupos criminosos. O plano apresentado no Rio de Janeiro reúne forças federais, estaduais e municipais em uma atuação coordenada contra a estrutura das organizações.
A iniciativa foi apresentada como um plano piloto, com possibilidade de aplicação em outras regiões caso os resultados sejam considerados positivos. Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que propõe definir com mais clareza as atribuições da União, dos estados e dos municípios. Segundo o presidente, a medida deve ampliar a coordenação entre as forças de segurança no combate ao crime organizado.








