MOSCOU — A Rússia ampliou a adoção obrigatória do Max, aplicativo estatal que reúne mensagens, pagamentos, serviços bancários, confirmação de identidade e acesso a serviços públicos. A plataforma tem recursos técnicos que podem permitir a captura de conteúdos, o acesso a dados armazenados e a realização de ações em nome do usuário sem que ele perceba.
Dezenas de milhões de russos foram levados a instalar o aplicativo nos últimos 18 meses. Desde setembro de 2025, o Max deve vir pré-instalado em todos os celulares e tablets novos vendidos no país. Ao mesmo tempo, Moscou restringiu ou bloqueou serviços concorrentes, como WhatsApp e Telegram, e ampliou as limitações a ferramentas usadas para contornar a censura na internet.
Capacidades técnicas
Um estudo divulgado no último dia 10 por pesquisadores das universidades de Michigan, Calgary e Georgia Tech e do Instituto Indiano de Tecnologia de Délhi identificou riscos de vigilância. A análise concluiu que o Max pode capturar informações exibidas dentro de seus serviços, acessar e modificar dados armazenados, interferir no tráfego de rede e inserir códigos.
A arquitetura do aplicativo também permitiria controlar o sistema de autenticação. Com isso, ações poderiam ser executadas em nome do usuário sem que ele percebesse.
Escolas e universidades russas pressionam seus integrantes a usar a plataforma. A exigência também alcança servidores públicos e funcionários de instituições ligadas ao Estado.
As autoridades russas rejeitam as acusações de que o Max tenha sido criado para espionagem. O governo promove o aplicativo como uma alternativa nacional mais segura aos serviços estrangeiros. Canais associados à plataforma afirmam que as denúncias sobre vigilância são falsas e destacam programas para localizar vulnerabilidades de segurança.
O funcionamento do Max é semelhante ao do WeChat, aplicativo utilizado na China, ao concentrar diferentes serviços em uma única plataforma.








