SÃO PAULO — Luiz Henrique Mandetta defendeu a criação de um repositório nacional de dados de saúde e de um Centro Nacional de Inteligência Artificial para ampliar o uso de tecnologia no setor. As propostas foram apresentadas durante o Fórum Saúde, Diálogo e Desenvolvimento – A Indústria da Saúde na Agenda Presidencial, realizado em São Paulo.
O ex-ministro da Saúde e representante da campanha de Ronaldo Caiado à Presidência também afirmou que a judicialização é consequência de dificuldades de acesso, orçamento e incorporação de novas tecnologias. Para ele, o tema deve ser discutido no Congresso em conjunto com a definição de recursos para a saúde.
“A judicialização não é a doença, ela é um sintoma da doença”, disse Mandetta. Ele comparou o fenômeno à febre, que seria um sinal de uma infecção e não o problema a ser tratado isoladamente.
Indústria e incorporação de tecnologias
Mandetta defendeu mudanças no processo de incorporação de tecnologias ao sistema de saúde. Ao comentar o prazo de 180 dias entre a aprovação de uma tecnologia e sua chegada ao paciente, afirmou que é necessário integrar unidades básicas, hospitais, rede credenciada e informações de saúde para acompanhar o percurso de cada pessoa.
Na avaliação do ex-ministro, o Brasil precisa ampliar a indústria nacional, reduzir a dependência de produtos e insumos importados e buscar escala por meio de acordos e da integração com outros mercados. Ele afirmou que limitar a produção ao atendimento do SUS não seria suficiente para sustentar uma indústria em grande escala.
Mandetta também defendeu o respeito às patentes, o estímulo ao uso de medicamentos genéricos e a reconstrução da indústria nacional. Segundo ele, o país tem condições de ampliar sua presença internacional no setor e de se tornar um fornecedor global de produtos de saúde.
A pandemia de covid-19 foi citada como exemplo da dependência externa. Mandetta mencionou a necessidade de capacidade de produção de máscaras, equipamentos de proteção, seringas e outros insumos.
Medicamentos e política tributária
O representante da campanha de Caiado defendeu atenção ao tratamento tributário dos medicamentos durante a reforma tributária. Para ele, o medicamento deve ser considerado um bem necessário ao tratamento dos pacientes e receber tratamento diferenciado.
Mandetta também afirmou que o Brasil pode ampliar sua atuação internacional na saúde e destacou o respeito ao SUS no mundo. Ele disse que o país precisa superar o que chamou de “complexo de vira-lata” e aproveitar sua diversidade e a globalização para fortalecer sua presença no mercado internacional.








