ST. LOUIS — Mais de 1.000 pessoas participaram, em 23 de setembro, da oração vespertina na Catedral Basílica de St. Louis, na véspera da beatificação do arcebispo Fulton J. Sheen. O Bispo Mitchell T. Rozanski presidiu a celebração, e o Bispo Robert Barron fez a pregação.
Barron destacou a influência de Sheen como pregador e comunicador, mas concentrou sua reflexão na origem de sua santidade. Para ele, o aspecto central foi a amizade com Jesus Cristo. Sheen entendia o cristianismo como uma relação com uma pessoa viva, e não apenas como uma filosofia ou um conjunto de princípios morais.
Devoção e missão
Na autobiografia “Treasure in Clay”, Sheen relacionou a jornada espiritual ao encontro do profeta Isaías com Deus. Segundo Barron, esse caminho passa pelo reconhecimento da santidade divina, pela consciência da própria indignidade e pela disposição de cumprir uma missão.
A devoção de Sheen a Maria ocupava lugar central nesse percurso. Barron a relacionou ao batismo de Sheen na Igreja de Santa Maria, em El Paso, Illinois, à ordenação sacerdotal na Catedral de Santa Maria da Imaculada Conceição, em Peoria, ao rosário e às mais de 30 viagens a Lourdes.
A mesma compreensão da graça orientava sua relação com a Eucaristia. Sheen manteve durante a vida o compromisso com a Hora Santa, período de uma hora ininterrupta por dia diante do Santíssimo Sacramento. Para ele, esse momento era uma permanência na presença de Cristo, e não apenas uma obrigação religiosa.
Barron também afirmou que a oração preparava Sheen para a missão. O arcebispo levou sua pregação ao rádio e à televisão e procurou apresentar a tradição intelectual católica em uma linguagem acessível. Ao longo de décadas, atuou na pregação, na escrita, nas transmissões e em viagens missionárias.
Fraquezas e influência
Na autobiografia, Sheen reconheceu sua atração por títulos, prestígio e popularidade. Para Barron, essa franqueza também fazia parte de sua santidade, porque a proximidade com Deus revelaria com mais clareza a necessidade de perdão e cura. Os sofrimentos vividos por Sheen, inclusive dentro e fora da Igreja, foram apresentados como parte de seu processo de purificação.
A Irmã da Vida Maria Augustine, que viajou de Nova York, chamou Sheen de grande professor e evangelista. O Cardeal Raymond Burke disse que o exemplo de Sheen inspirou sua vocação sacerdotal. Já o Bispo Andrew Cozzens associou a devoção eucarística de Sheen à força de seu trabalho evangelizador.
Ao encerrar a homilia, Barron afirmou que a beatificação não tornaria Sheen maior, mas o colocaria de forma poderosa diante da atenção do mundo. Para ele, o arcebispo continua sendo uma referência para quem busca comunicar o Evangelho à cultura moderna e um amigo celestial e intercessor.
A beatificação estava marcada para 24 de setembro. A programação previa transmissão a partir das 10h, com um pré-show, seguida pela Missa de Beatificação às 14h30, no horário do leste dos EUA.







