Mensagens enviadas por Daniel Vorcaro detalham duas das quatro visitas do fundador do Banco Master ao Palácio do Planalto. As conversas também indicam que ele estava em Brasília nos outros dois dias em que sua entrada na sede do Executivo foi registrada.
Registros do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República mostram que Vorcaro esteve no Planalto uma vez em 2023 e três vezes em 2024. Em 4 de dezembro de 2024, ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Visitas e compromissos
Em 4.dez.2023, Vorcaro avisou a uma mulher que havia chegado a Brasília. Na mesma data e horário, o empresário Lucas Kallas, da Cedro Participações, também registrou entrada no Planalto. Os dois são sócios na biofarmacêutica Biomm. Até 2025, Vorcaro detinha 25,86% da empresa por meio do Fundo Cartago, enquanto Kallas tinha 8%.
Em 1º.mar.2024, um operador do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou a Vorcaro que já havia chegado ao Palácio. Em 3.abr.2024, os dois combinaram um encontro em um escritório no Brasília Shopping, na Asa Norte.
Em 4.dez.2024, Vorcaro comunicou a Martha Graeff, ex-namorada do fundador do Master, que teria reuniões com Lula e com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Antes disso, avisou ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que estava a caminho da capital.
Vorcaro ou integrantes do Master também participaram de 65 reuniões com a cúpula do Banco Central desde 2019. Foram 24 encontros durante os seis anos de Roberto Campos Neto à frente da instituição, entre 2019 e 2024, e 41 desde 2025, na gestão de Galípolo.
Reunião com Lula
O encontro de 4 de dezembro de 2024 ocorreu após uma audiência formal registrada na agenda de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência. A audiência foi lançada no sistema em 27 de dezembro, com Guido Mantega como participante. O ex-ministro da Fazenda compareceu com Vorcaro, e os dois pediram para falar com Lula ao fim da conversa.
Na reunião, realizada fora da agenda, também estavam Rui Costa, ministro da Casa Civil; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; Augusto Lima, então CEO do Banco Master; e Galípolo, que havia sido indicado para presidir o Banco Central.
Vorcaro tratou da concentração do sistema bancário e da atuação de instituições maiores no mercado. Lula afirmou que o tema cabia ao Banco Central e que deveria receber tratamento técnico. O presidente também aconselhou o empresário a não vender o Master ao BTG.
Meses depois, o Banco Central rejeitou a venda do Master ao Banco de Brasília e decretou a liquidação da instituição, apontando uma fraude de R$ 12 bilhões.








