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Política

PF aponta pagamentos indiretos do Master a ex-servidores do Banco Central

Documentos indicam uso de empresas e intermediários para ocultar a origem de valores destinados a Belline Santana e Paulo Sérgio.

PF aponta pagamentos indiretos do Master a ex-servidores do Banco Central

Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro teria usado empresas e intermediários para fazer pagamentos a pessoas ligadas ao Banco Master sem transferir os valores diretamente. Entre os investigados estão os ex-servidores do Banco Central Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.

A dinâmica identificada nas apurações seguia, em geral, três etapas: o dinheiro saía do banco para uma empresa do grupo, era enviado a uma empresa de um intermediário e só depois chegava ao destinatário final. O intermediário seria reembolsado posteriormente.

Mensagens sobre os pagamentos

Conversas entre Vorcaro e Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, mostram orientações sobre os caminhos que os recursos deveriam percorrer. Em uma delas, Zettel pergunta sobre o primeiro pagamento a Belline. Vorcaro responde que outra pessoa deveria fazer a transferência, com reembolso no dia seguinte.

A Polícia Federal identificou “Leo” como o advogado Leonardo Augusto Furtado Palhares. As mensagens também indicam que Zettel teria criado ou buscado empresas que não fossem associadas diretamente a ele ou a Vorcaro.

Segundo a investigação, a intermediação criava uma camada entre a origem e o destinatário dos valores, dificultando a identificação do fluxo financeiro. Contratos de consultoria também são apontados como possíveis instrumentos para dar aparência formal a pagamentos.

A defesa de Belline contesta as acusações. O advogado Leonardo Palazzi afirmou que a divulgação de trechos da investigação ocorreu de forma seletiva e fragmentada e citou depoimentos prestados à Polícia Federal. Em nota, a defesa também mencionou o depoimento de Vorcaro, de 28 de agosto, no qual ele teria negado pagamentos ou vantagens ilícitas a Belline.

Investigação sobre Belline

Belline ocupava o cargo de Chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil. Uma apuração interna da instituição identificou dois contratos que ligariam o servidor à estrutura do Master e somariam aproximadamente R$ 4 milhões.

Um deles teria sido firmado com a Varajo Consultoria, empresa ligada a Leonardo Palhares. O contrato previa a participação de Belline em um estudo sobre a inserção de jovens no mercado financeiro. Em depoimento administrativo, ele declarou ter assinado um contrato de R$ 2.000.000,00.

Para a Polícia Federal, o projeto seria fictício e teria servido para conferir aparência de legitimidade a pagamentos por serviços informais e sigilosos prestados ao ex-controlador do Banco Master. Planilhas e mensagens apreendidas também registrariam despesas relacionadas a Belline.

Negociação de imóvel

Paulo Sérgio, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, é investigado por supostamente orientar Vorcaro, discutir operações do Master e compartilhar informações sobre a atuação da autoridade monetária. A PF afirma ter encontrado indícios de que ele e Belline defendiam os interesses do banco junto ao Banco Central.

Uma investigação patrimonial encontrou indícios de que a venda de um sítio de Paulo Sérgio poderia ter sido usada para ocultar uma vantagem indevida. O imóvel rural, localizado em Muzambinho, em Minas Gerais, teria sido negociado com uma empresa ligada a Zettel por R$ 4,8 milhões.

De acordo com a apuração, Zettel encaminhou a minuta do contrato a Vorcaro, que deveria enviá-la a Paulo Sérgio para concluir a redação. Embora a venda tenha sido formalizada, os investigadores afirmam que o comprador não teria usado a propriedade. A plantação de café no terreno teria continuado sob responsabilidade de um irmão de Paulo Sérgio.

Zettel também é associado ao grupo informal chamado A Turma, que, segundo a investigação, atuaria no monitoramento, na coleta de informações e em ações de coação e intimidação contra adversários de Vorcaro e do Banco Master.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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