São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00% São Paulo 18°C 17° / 24°
Política

Molécula 2i bloqueia enzima de parasita da leishmaniose em testes de laboratório

Estudo da USP identificou compostos que atingem a enzima do parasita sem inibir a versão humana nos testes realizados.

Molécula 2i bloqueia enzima de parasita da leishmaniose em testes de laboratório

Uma molécula derivada do ácido barbitúrico inibiu fortemente uma enzima essencial do parasita Leishmania braziliensis e não afetou a versão humana da mesma enzima nos testes de laboratório. O composto, chamado 2i, também apresentou atividade contra formas do parasita cultivadas em placa e não foi tóxico para células de defesa humanas usadas na pesquisa.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Fragmentos Moleculares. O trabalho foi publicado no Journal of Medicinal Chemistry.

Como a estratégia funciona

A pesquisa desenvolveu os primeiros inibidores covalentes da diidroorotato desidrogenase, conhecida como DHODH. A enzima participa de uma etapa essencial da produção de pirimidinas, componentes necessários para a formação do DNA e do RNA do parasita.

Os compostos foram planejados para se ligar a uma cisteína localizada no sítio ativo da enzima, identificada como Cys131. Diferentemente de uma interação temporária, a inibição covalente forma uma ligação química com um aminoácido específico da proteína. Segundo Maria Cristina Nonato, a estratégia pode produzir uma ação mais forte e duradoura, desde que o composto reconheça a enzima correta antes de reagir.

Estruturas tridimensionais obtidas por cristalografia de raios X permitiram observar como as moléculas ocupam o sítio ativo e confirmar a ligação com a cisteína. A primeira autora do artigo é Thamires Quadros Froes, que participou do trabalho durante estágio de pós-doutorado sob coordenação de Nonato e Flávio da Silva Emery.

Diferença entre as enzimas

A DHODH do parasita e a humana pertencem a classes diferentes e têm estruturas e mecanismos distintos. A diferença, incluindo a presença e a posição da Cys131, foi usada para buscar maior afinidade pela enzima da Leishmania e menor interação com a proteína humana.

A leishmaniose cutânea provoca feridas e úlceras na pele e é transmitida pela picada do mosquito-palha infectado. A doença não é contagiosa. O tratamento atual continua funcionando, mas pode envolver medicamentos tóxicos, uso prolongado ou aplicação injetável, além de respostas que variam conforme a espécie do parasita, a região geográfica e as características do paciente.

Os compostos estudados ainda não são medicamentos. Eles representam uma etapa inicial para o desenvolvimento de moléculas que possam ter ação mais seletiva e segura.

Próximas etapas

Os pesquisadores pretendem ampliar os testes de toxicidade em células humanas, avaliar a ação contra outras espécies de Leishmania e verificar se os compostos conseguem entrar em células infectadas. Os candidatos mais promissores poderão avançar para estudos em modelos animais, com avaliação de eficácia, segurança, dose e via de administração.

O grupo também busca novos derivados com maior potência e melhores propriedades farmacocinéticas. A pesquisa reúne atividades de planejamento e síntese de moléculas, análises bioquímicas, estudos estruturais e avaliações biológicas, com participação de pesquisadores da Unifesp e da organização Drugs for Neglected Diseases initiative.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5