A Ordem dos Advogados do Brasil pediu que o Supremo Tribunal Federal faça uma seleção prévia dos dados do caso Master antes do acesso ao conteúdo, para evitar a exposição de informações protegidas pelo sigilo profissional. O requerimento foi apresentado nesta quarta-feira (23) ao presidente da Corte, Edson Fachin.
O documento é assinado pelo presidente do Conselho Federal da OAB, José Alberto Simonetti, e por outros sete advogados. A entidade afirmou ter preocupação institucional com os vazamentos de diálogos e ressaltou que a apreensão autorizada pela investigação não permite, automaticamente, a divulgação de conversas protegidas.
A OAB declarou que não pretende avaliar a legalidade de contratos, pagamentos ou condutas profissionais, nem impedir a apuração sobre advogados. O pedido se concentra na adoção de medidas para separar informações úteis à investigação de comunicações confidenciais, estratégias de defesa e documentos relacionados a clientes ou terceiros sem ligação com os fatos analisados.
Dados distribuídos a ministros
Em 10 de setembro de 2026, Fachin pediu que André Mendonça retirasse o sigilo dos autos ligados à operação Compliance Zero. Depois, ministros passaram a defender o acesso à íntegra do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, diante da proximidade do julgamento de uma petição prevista para 15 de setembro.
Mendonça sustentou que a medida poderia tirar o foco do julgamento e afetar investigações em andamento. Mesmo assim, com manifestação favorável da Polícia Federal, cópias do material bruto foram entregues aos gabinetes. Até agora, cinco ministros receberam os dados: André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
O conteúdo inclui conversas de Vorcaro com advogados. Entre os episódios citados estão diálogos com Walfrido Warde sobre reunião com o presidente Lula e possível participação do senador Jaques Wagner; mensagens com Rodrigo Fux; e uma conversa com Marcus Vinícius Furtado Coêlho sobre um processo no Supremo. Documentos mencionados no caso registram pagamentos de R$ 27,5 milhões ao escritório de Coêlho.
A OAB-RJ apoiou Rodrigo Fux e afirmou não ter encontrado irregularidade nos diálogos analisados. Ciro Soares, também citado no material, alegou violação do sigilo entre advogado e cliente após a divulgação de mensagens e de uma foto com Paulo Gonet.








