BELO HORIZONTE — O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), negou neste sábado (10.out.2026) as acusações de Daniel Vorcaro sobre um suposto esquema de cobrança de propinas para facilitar investimentos de fundos de pensão no Banco Master. Padilha classificou os relatos como “farsa” e afirmou que se trata de uma armação de Flávio Bolsonaro (PL) e seu grupo.
“Foi uma farsa montada ontem (9.out.2026)”, declarou o ministro a jornalistas. Ele também chamou Flávio de “mentiroso contumaz” e mencionou suspeitas envolvendo o senador.
Acusações atribuídas a Vorcaro
Uma proposta de colaboração premiada rejeitada pela PGR atribuía a Padilha a participação em um grupo que cobraria 10% dos recursos captados pelo Banco Master junto a fundos de pensão ligados ao governo. O então ministro da Secretaria de Relações Institucionais teria facilitado contatos com dirigentes da Petros e do Postalis.
A expectativa citada no relato era viabilizar R$ 10 bilhões em investimentos no Master e receber até R$ 1 bilhão em propinas. Vorcaro também teria alegado o pagamento de R$ 500 mil como adiantamento.
Registros encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro incluem mais de 450 mensagens e 180 telefonemas entre o banqueiro e Júlio Cezar, apontado como intermediário nos contatos com dirigentes dos fundos. Em 29 de abril de 2024, o Banco Master entrou na lista de instituições habilitadas a receber investimentos de fundos de pensão. Naquele dia, Júlio teria cobrado R$ 500 mil de Vorcaro.
A PF informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo divulgado nem entregou documentos ou informações com esse teor. A PGR afirmou que não houve depoimento oral nem contato direto do empresário com representantes da instituição.
Documentário sobre Lula
Vorcaro também teria dito que pagou R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar o filme “Lula” (2024), dirigido por Oliver Stone, e obter acesso a fundos de pensão. Paulo Okamotto negou o recebimento de dinheiro e afirmou que o Instituto Lula não participou da produção nem da captação de recursos.
A campanha de Lula chamou as acusações de “estarrecedoras” e disse que não havia provas. A defesa de Augusto Lima classificou os relatos como uma narrativa falsa. Os advogados de Vorcaro informaram que não integravam a defesa dele quando as propostas foram apresentadas e que o empresário não prestou novos depoimentos à PF sobre o caso.








