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Política

Vorcaro teria oferecido 10% para acessar fundos de estatais

Mensagens e relatos atribuem ao banqueiro negociações com pessoas ligadas a Alexandre Padilha e cobrança de R$ 500 mil por um consultor.

Daniel Vorcaro teria negociado o pagamento de 10% dos valores captados para obter acesso a fundos de pensão de estatais, conforme mensagens apreendidas pela Polícia Federal e um relato atribuído ao fundador do Banco Master. A meta era levantar cerca de R$ 10 bilhões junto a fundos ligados à Petrobras, aos Correios, à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil.

O relato também atribui ao banqueiro a previsão de destinar R$ 1 bilhão ao pagamento de propina, enquanto o restante ficaria com o banco. As tratativas envolveram pessoas ligadas ao ministro Alexandre Padilha, então titular da Secretaria de Relações Institucionais do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Intermediação e reuniões

O consultor Júlio Cezar, de Goiânia (GO), fazia a intermediação entre Vorcaro e integrantes do grupo político ligado a Padilha. A Polícia Federal encontrou mais de 450 mensagens e mais de 180 registros de telefonemas entre os dois.

A aproximação começou após o cancelamento de uma reunião com dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, em fevereiro de 2024. Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Banco Máxima, tentou remarcar o encontro e apresentou Vorcaro a Júlio.

Em 1º de março de 2024, Vorcaro se reuniu com Padilha no Palácio do Planalto. Também teriam participado Olavo Noleto, então braço-direito do ministro, Júlio Cezar e Fernando, primo do consultor. Depois, segundo o relato atribuído ao banqueiro, o grupo foi à casa dele, em Brasília.

Ainda de acordo com esse relato, o acesso à Previ, à Petros e ao Postalis teria sido condicionado ao pagamento de 10% dos valores captados. Júlio também articulou contatos com dirigentes dos fundos e tentou acelerar reuniões relacionadas ao Banco do Brasil e à Petros.

Cobrança de R$ 500 mil

Em 29 de abril de 2024, o Banco Master foi incluído na chamada lista exaustiva do Ministério da Previdência Social, que reúne instituições habilitadas a receber recursos dos fundos. No mesmo dia, Júlio cobrou R$ 500 mil de Vorcaro.

Após informar que o banco havia sido incluído na lista, Augusto Lima, então sócio do Master, recebeu de Vorcaro a resposta: “Você é foda”. As mensagens indicam que o banqueiro teria feito o pagamento e cobrado resultados. “Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, escreveu Vorcaro ao consultor.

As negociações teriam sido afetadas por reportagens publicadas em julho de 2024 sobre gestores da Caixa Asset que supostamente se opuseram a aplicações em letras financeiras do Master. Vorcaro, porém, teria continuado a buscar recursos em fundos municipais, com previsão de pagamentos de 10% em propina.

Negação de Padilha

Alexandre Padilha negou irregularidades em 10.out.2026. O ministro afirmou que as alegações sobre propina eram uma “farsa” criada para influenciar o 2º turno das eleições presidenciais. Também disse que Flávio Bolsonaro mantinha relações com Daniel Vorcaro.

Em outubro daquele ano, Júlio teria organizado um jantar entre Vorcaro, Padilha e Olavo Noleto e tentado marcar uma reunião com Lula, que não se confirmou.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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