BRASÍLIA — O ministro Flávio Dino pediu vista durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a investigação de Alexandre de Moraes. A medida suspendeu a votação e pode adiar a decisão por até 90 dias, mantendo o caso em aberto durante o período eleitoral de 2026.
Dino afirmou que o processo de Moraes deveria ser analisado junto com o caso de André Mendonça. O ministro justificou a interrupção dizendo que o debate estava muito acirrado e que, sem uma pausa, a análise poderia se prolongar por várias sessões sem uma definição clara.
Críticas à interrupção
Juristas classificaram a iniciativa como “chicana”, expressão usada para descrever manobras destinadas a atrasar um processo. A crítica é que Dino não teria apresentado uma dúvida jurídica ou dificuldade técnica para justificar o pedido de vista, limitando-se a argumentar que o julgamento poderia ser demorado.
Também surgiram informações de que o adiamento já vinha sendo planejado nos bastidores havia dias. Para os críticos, isso faria com que o discurso do ministro durante a sessão tivesse caráter protelatório.
Relação com o governo
A decisão ampliou os questionamentos sobre a relação entre ministros do STF e o Palácio do Planalto. Flávio Dino foi governador e ministro de Lula antes de chegar à Corte, enquanto Cristiano Zanin foi advogado pessoal do presidente.
A oposição interpreta a suspensão como uma tentativa de proteção a Alexandre de Moraes e de blindagem do governo. Especialistas avaliam que o adiamento mantém o tema em evidência por até três meses, em vez de concentrar os efeitos políticos em uma decisão imediata.
A percepção de proximidade entre integrantes do Executivo e do Judiciário também alimenta a avaliação de que o tribunal estaria atuando para conter danos políticos e proteger aliados do presidente. As críticas relacionam diretamente a imagem de Lula ao caso e ao debate sobre a investigação no STF.








