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Política

PF identifica contato com Moraes em notas de Daniel Vorcaro antes da prisão

Relatório aponta que banqueiro sabia o nome do juiz responsável pelo caso antes de sua divulgação e levantou suspeitas de vazamento.

PF identifica contato com Moraes em notas de Daniel Vorcaro antes da prisão

A Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro uma nota em que o banqueiro perguntava se o interlocutor tinha proximidade com Ricardo Soares Leite, juiz da 10ª Vara Federal Criminal que decretou sua prisão preventiva. O registro foi criado às 15h51 de 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão.

Pouco mais de duas horas antes, Vorcaro havia enviado outra mensagem ao contato identificado como “Alexandre de Moraes”. No dia anterior, escreveu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

O banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Suspeita de vazamento

As informações constam em relatório da PF tornado público depois que André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, levantou o sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Master, a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte. Na terça-feira (15), está prevista uma sessão presencial extraordinária sobre o embate entre Moraes e Mendonça.

A PF afirmou que o nome de Ricardo Soares Leite ainda não havia sido divulgado pela imprensa naquele momento e disse não conhecer meio lícito pelo qual Vorcaro pudesse ter descoberto o nome e a jurisdição do juiz. Para os investigadores, isso reforça a suspeita de vazamento de informações sigilosas.

O relatório também cita registros anteriores. Em 17 de outubro de 2025, integrantes da PF e do Banco Central participaram de uma reunião sigilosa sobre a investigação do Master. Quatro dias depois, Vorcaro anotou nomes de representantes da PF presentes no encontro e de procuradores da República que, segundo o documento, não participaram da reunião.

Em 30 de outubro, o banqueiro escreveu ter recebido informações confidenciais de pessoas “de dentro do Bacen” e pediu que o interlocutor “reforçasse” com “Andrei e Paulo” a necessidade de evitar ações contra o banco. A PF avaliou que os nomes provavelmente eram Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Nas conversas, Vorcaro também mencionou contatos no Banco Central e associou a letra “G” a Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária.

Nas horas anteriores à prisão, ele voltou a trocar mensagens com o advogado Walfrido Warde, que o procurou para tratar de um assunto “importante”. Após receber uma foto de visualização única, Vorcaro disse que havia mudado o roteiro e perguntou: “Saindo de Congonhas 11:30 fica tarde?”. Para a investigação, as ligações e mensagens indicavam que ele tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas naquele dia.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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