Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro mencionam uma suposta proteção junto à Polícia Federal. Em uma delas, Vorcaro diz que um “cara da PF” teria garantido que ele “pode cometer [o] crime que for”.
A conversa começa com o banqueiro afirmando que a “turma tá louca demais”. Pelas datas, o diálogo estaria relacionado ao I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, com a participação dos ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. No mesmo período, houve uma degustação de uísque Macallan no George Club.
As mensagens foram captadas por investigadores do caso Master. Carneiro também aparece nas apurações sobre o chamado “Projeto DV”, estratégia atribuída ao entorno de Vorcaro para melhorar a imagem do banqueiro e contestar a atuação do Banco Central por meio de influenciadores.
Projeto de gerenciamento de crise
O projeto foi criado por Thiago Miranda, da Agência Mithi, especializada em gerenciamento de crises. Em depoimento, ele disse que a iniciativa previa “matérias a serem veiculadas em mídia sobre a prisão, sobre toda a investigação relacionada ao Master”.
Miranda afirmou ainda que conheceu Vorcaro por intermédio de Carneiro, seu sócio na Mithi. O contato ocorreu durante uma tentativa de venda da participação de Miranda no portal Leo Dias por R$ 3,5 milhões. A intenção atribuída ao banqueiro era criar seu próprio conglomerado de mídia.
Em 7 de julho de 2026, quando Vorcaro já estava preso, Miranda anunciou a venda de sua participação no veículo. O plano de gerenciamento da crise teria avançado após a primeira soltura de Vorcaro, em 29 de novembro de 2025.
Uma decisão aponta que Vorcaro seria o principal responsável por buscar informações privadas sobre Malu Gaspar. Entre os dados estariam informações sobre familiares, patrimônio e o carro da jornalista.
Flávio Carneiro, a defesa de Daniel Vorcaro e Thiago Miranda foram procurados para se manifestar. O espaço permanece aberto para respostas.








