A política e ativista italiana Emma Bonino morreu nesta sexta-feira (11/9), aos 78 anos. A confirmação foi feita pelo partido +Europa. Bonino ficou conhecida pela defesa dos direitos civis, do acesso ao aborto e da autonomia das mulheres.
Nascida em Bra, no norte da Itália, em 1948, ela ganhou projeção na década de 1970, quando o aborto ainda era crime no país. Em 1974, realizou um aborto clandestino e, no ano seguinte, apresentou-se voluntariamente às autoridades para denunciar a situação de mulheres submetidas a procedimentos ilegais.
Em 1975, Bonino fundou o Centro de Informação sobre Esterilização e Aborto, voltado à orientação e à assistência. A mobilização da qual participou contribuiu para a aprovação, em 1978, da lei que legalizou o aborto na Itália sob determinadas condições e dentro do sistema de saúde.
Carreira política
Ligada ao Partido Radical, foi eleita deputada para o Parlamento italiano em 1976 e também atuou no Parlamento Europeu. Defendeu a igualdade de gênero, os direitos humanos, o combate à fome, a oposição à pena de morte, os direitos de migrantes e a proteção de mulheres contra a mutilação genital.
Bonino foi comissária europeia entre 1995 e 1999, com responsabilidades em áreas como ajuda humanitária, pesca e defesa dos consumidores. No governo italiano, ocupou os cargos de ministra do Comércio Internacional e de Assuntos Europeus e de ministra das Relações Exteriores entre 2013 e 2014.
Ela participou de missões e campanhas humanitárias nos Bálcãs, na Somália, em Ruanda e no Afeganistão. Em 1998, recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional. Em 2017, ajudou a fundar o +Europa, partido favorável à integração europeia.
Bonino também recorreu a greves de fome, atos de desobediência civil e campanhas públicas para pressionar governos e instituições. Em 2015, anunciou que enfrentava um câncer de pulmão e depois informou que a doença estava em remissão. Em novembro de 2024, recebeu o papa Francisco em casa.
A primeira-ministra Giorgia Meloni lamentou a morte e reconheceu a importância de Bonino para a vida pública italiana, apesar das divergências políticas.








