RIO DE JANEIRO — Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, registram mais de R$ 10 milhões em repasses relacionados a aliados do clã Bolsonaro. As anotações fazem parte da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de organizações criminosas no poder público do estado.
A contabilidade paralela também indica pagamentos de mais de R$ 29 milhões a pelo menos 61 políticos e partidos. De acordo com a Polícia Federal, os registros apontam para a tentativa de garantir apoio e proteção política a integrantes da cúpula do jogo do bicho e do contrabando de cigarros.
Valores atribuídos nas planilhas
O ex-governador Cláudio Castro (PL) aparece associado a R$ 3,63 milhões. Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é relacionado a R$ 5,43 milhões sob o codinome “Barba”.
Também são citados o deputado federal Hélio Lopes (PL), com R$ 323,2 mil; o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL), com R$ 91,8 mil; e o ex-secretário estadual Gutemberg Fonseca (PL), associado a R$ 727,9 mil.
Adilsinho foi detido em investigações sobre o mercado ilegal de cigarros e apostas. As movimentações financeiras analisadas no caso alcançaram R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024.
As apurações apontam proximidade entre os nomes registrados e grupos de apoio a Jair Bolsonaro no estado. Castro e Ramagem também são mencionados como frequentadores de um camarote no Sambódromo do Rio de Janeiro administrado pelo sobrinho de Adilsinho, ao lado de operadores e investigados do setor de contravenção.
Os citados negam irregularidades. A defesa de Castro afirmou que ele não recebeu pagamentos diretos ou indiretos e que as despesas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Bacellar negou os repasses e o uso do apelido “Barba”. Lopes disse não reconhecer os valores nem a anotação atribuída a seu nome. Fonseca declarou que nunca conheceu Adilsinho nem recebeu pagamentos dele. A defesa de Ramagem não foi localizada.







