RIO DE JANEIRO — Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, indicam pagamentos superiores a R$ 10 milhões a nomes ligados à família Bolsonaro. Os registros são analisados em uma investigação sobre possível cooptação de autoridades pelo crime organizado no Rio de Janeiro.
Os documentos foram recolhidos em novembro de 2022, durante uma operação que investigava a venda de cigarros ilegais. Em 2026, a Polícia Federal voltou a examinar o material na Operação Unha e Carne, que apura a atuação do crime organizado na política fluminense.
As planilhas mencionam 61 pessoas. Entre os nomes estão Cláudio Castro, com R$ 3,63 milhões; Rodrigo Bacellar, associado ao codinome “Barba”, com R$ 5,43 milhões; Hélio Lopes, com R$ 323,2 mil; Alexandre Ramagem, com R$ 91,8 mil; e Gutemberg Fonseca, com R$ 727,9 mil.
Os valores relacionados a agentes políticos ultrapassam R$ 29 milhões. Os documentos, porém, não esclarecem quando os supostos pagamentos teriam ocorrido. Parte dos nomes aparece por codinomes, o que dificulta a identificação dos destinatários.
Em relatório, a PF afirma que as anotações podem indicar uma estrutura de circulação de recursos para financiamento político formal ou informal. Os investigadores pretendem usar os registros em cruzamentos com dados bancários, fiscais e eleitorais.
As defesas negam os pagamentos. A defesa de Cláudio Castro afirmou que os serviços gráficos contratados na campanha de 2022 foram declarados à Justiça Eleitoral e tiveram as contas aprovadas. Rodrigo Bacellar negou recebimentos e contestou a associação com “Barba”.
Gutemberg Fonseca disse que nunca encontrou Adilsinho e não recebeu dinheiro dele. Hélio Lopes afirmou não reconhecer os valores e informou que as contas da campanha de 2022 foram declaradas e aprovadas. A defesa de Alexandre Ramagem não respondeu ao contato.








