O Partido dos Trabalhadores afirmou que o BRB perdeu 791,9 mil clientes em nove meses, uma queda de 8,1%, e atribuiu o movimento à falta de informações sobre as contas do banco. A legenda diz que a fuga ocorreu antes das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acompanha a ausência de um balanço completo da instituição.
Em nota divulgada neste sábado (19.set.2026), o PT declarou que não existe negociação entre a União e o governo do Distrito Federal para um aval federal ao BRB. Segundo o partido, as tratativas em andamento envolvem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos.
Divergência sobre o aval
A legenda afirma que o governo federal não dará garantia à operação por dois motivos: considera que a crise do BRB tem origem em investigações criminais e avalia que a capacidade de pagamento do Distrito Federal está se deteriorando. O PT também acusa a governadora Celina Leão (PP) de tentar obrigar, por meio da Justiça, que a União assuma o risco.
O partido diz que Celina assinou, no Supremo Tribunal Federal, um acordo que previa uma solução para o banco sem aval federal. A nota afirma ainda que bancos privados recusaram a operação porque o BRB não apresenta relatórios confiáveis sobre sua situação.
Aliados da governadora contestaram a versão. Eles afirmaram que, no início de 2026, a União e o governo do Distrito Federal firmaram um acordo homologado pelo STF para viabilizar o fortalecimento de capital do banco dentro das regras do sistema financeiro e dos limites legais. Para os aliados, o entendimento comprova que houve tratativas entre as partes. A assessoria de Celina não comentou as declarações.
Críticas ao banco
De acordo com o PT, o BRB comprou carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. Investigações da Polícia Federal apontaram que o Banco Master transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao BRB em operações realizadas de dezembro de 2024 a maio de 2025, apesar de alertas formais, relatórios de risco e pareceres contrários.
A nota também menciona que o ex-presidente do BRB foi preso por decisão do Supremo Tribunal Federal e é investigado por supostamente receber R$ 146,5 milhões em propina para viabilizar o negócio. O partido afirma que o banco não divulgou um balanço completo desde então e pode ter acumulado até R$ 3 milhões em multas por atrasos na publicação das demonstrações financeiras de 2025.
Celina anunciou que pretende recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra Lula. Ela disse que as declarações do presidente provocaram insegurança entre investidores e correntistas e poderiam configurar infração ao mercado de capitais. Lula afirmou que a governadora tenta transferir ao governo federal a responsabilidade pela situação do BRB e a chamou de “cínica e mentirosa”.
As críticas ocorreram após a divulgação de mensagens de Vorcaro nas quais ele afirmou que Celina, então vice-governadora, participou das negociações entre o BRB e o Banco Master. Ela nega envolvimento e diz que sempre foi contrária à operação. Na 6ª feira (18.set), Celina afirmou que as críticas de Lula tiveram relação com o fato de ela ser mulher e declarou que não aceitaria “intimidação” nas negociações sobre o banco.








