A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda que o tratamento do diabetes tipo 2 seja definido conforme as condições de cada paciente, e não apenas pelo nível de glicose. A diretriz orienta combinar medicamentos e mudanças no estilo de vida, considerando também peso, riscos cardiovasculares e alterações nos rins e no fígado.
O diabetes tipo 2 afeta mais de 15 milhões de brasileiros. A projeção é de que o país tenha mais de 24 milhões de pessoas com a doença em 2050. Um terço dos brasileiros com diabetes tipo 2 não sabe que tem a condição. O diagnóstico é feito por exames de sangue, como a dosagem da glicemia em jejum.
Combinações de medicamentos
A metformina costuma ser indicada desde o diagnóstico, junto com a adoção de atividade física e mudanças na alimentação. O remédio atua na resistência à insulina, um dos mecanismos relacionados ao diabetes tipo 2. “Ela é o melhor regulador de glicose, causa poucos sintomas, é acessível e fácil de tomar”, afirma o endocrinologista Marcello Bertoluci, coordenador do Comitê Permanente de Diretrizes da SBD.
A diretriz também prevê a associação da metformina a outras classes de medicamentos. Para pessoas com comprometimento renal e maior risco cardiovascular, podem ser usadas drogas que aumentam a eliminação de açúcar pela urina. Medicamentos da classe GLP-1 também podem fazer parte da estratégia.
Semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic, e tirzepatida, do Mounjaro, podem ser consideradas quando o paciente precisa controlar simultaneamente o diabetes e o excesso de peso ou a obesidade. A semaglutida também aparece como opção para casos de gordura e inflamação no fígado associados à glicemia elevada.
O documento organiza as opções em combinações duplas, triplas e até quádruplas, de acordo com a necessidade. Em algumas situações, o avanço da doença e as condições do pâncreas podem levar à indicação de insulina. “Afinal, não tratamos populações, mas indivíduos”, afirma Bertoluci.
Atividade física e alimentação
A orientação de exercícios combina atividades aeróbicas com práticas de resistência e força muscular. Segundo o educador físico Diego Leite de Barros, especialista em fisiologia do exercício pela Unifesp, esse tipo de treino melhora a sensibilidade das células à insulina, com benefício que pode durar até 48 horas.
A alimentação também deve ser ajustada, mas a SBD não recomenda a retirada completa dos carboidratos. A nutricionista Maristela Strufaldi afirma que é necessário observar a quantidade e a qualidade desses nutrientes, priorizando fontes de fibras.
A recomendação é adotar um padrão alimentar mais natural, com menos produtos processados e maior presença de verduras, leguminosas e cereais integrais. A proposta da diretriz é reunir diferentes medidas para controlar a glicemia e lidar com os demais riscos associados ao diabetes tipo 2.








