A policial militar Tabatta Baby Lacerda Santos, 35 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de tireoide cerca de sete anos após a identificação de um nódulo pequeno. A investigação também apontou metástases. Ela deverá passar por cirurgia em outubro para retirar a tireoide e os linfonodos comprometidos.
O nódulo apareceu em uma ultrassonografia de rotina solicitada pela ginecologista. Como não havia sintomas e a alteração era pequena, a orientação inicial foi acompanhar o caso. Em um exame posterior, os médicos indicaram uma punção aspirativa por agulha fina, que retira células para análise.
Nesse intervalo, houve mudanças de estado e de carreira, além da pandemia da Covid-19. Antes da confirmação, Tabatta trabalhava na radiopatrulha em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Ela fazia musculação cinco vezes por semana e exercícios cardiovasculares entre quatro e cinco vezes. A policial também não tinha histórico familiar de alterações na tireoide.
Sinais e investigação
Os sintomas surgiram com o passar do tempo. Tabatta relatou sensação de algo preso no fim da garganta, pigarro persistente e falta de ar durante a prática de atividade física. No início, porém, o câncer não havia provocado alterações perceptíveis.
A oncologista Marcella Oliveira Rabelo Amaral explica que muitos cânceres de tireoide, especialmente os carcinomas diferenciados, crescem lentamente e podem permanecer sem sintomas enquanto o tumor é pequeno. A descoberta pode ocorrer por acaso, durante exames feitos por outro motivo ou em avaliações de rotina.
A presença de um nódulo não confirma câncer. A ultrassonografia pode apontar maior suspeita quando há composição predominantemente sólida, pequenas calcificações, bordas irregulares ou formato mais alto do que largo. A avaliação também considera o tamanho da alteração e os linfonodos do pescoço.
Lesões pequenas e de baixo risco podem ser acompanhadas com ultrassonografias. Já nódulos maiores ou com sinais suspeitos podem exigir punção. O crescimento isolado não significa câncer, mas mudanças importantes podem levar à repetição do procedimento ou à alteração do acompanhamento.
O Instituto Nacional de Câncer afirma que não há evidências de que rastrear câncer de tireoide em pessoas sem sintomas produza mais benefícios do que riscos. A recomendação é investigar nódulos e outros sinais suspeitos.
Tratamento e apoio
Além do nódulo no pescoço, aumento de volume, rouquidão persistente, dificuldade ou desconforto para engolir, pressão no pescoço, tosse persistente e falta de ar estão entre os sinais descritos. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas alterações persistentes precisam ser avaliadas.
Após o diagnóstico, Tabatta disse que ficou com medo e procurou ajuda. O tratamento deverá incluir a retirada total da tireoide e o esvaziamento cervical. Depois da cirurgia, ela receberá orientações sobre o uso de iodo radioativo. A definição da conduta considera o tipo e o tamanho do tumor, estruturas próximas, linfonodos afetados e eventual disseminação para outros órgãos.
Enquanto espera o procedimento, a policial voltou ao trabalho em uma função interna, de segunda a sexta-feira, deixando temporariamente as atividades operacionais nas ruas.
A investigação começou longe da família. Os familiares de Tabatta vivem em Brasília, e o namorado estava a trabalho na Itália. Depois do diagnóstico, ela foi para Brasília e retornou a Santa Catarina com a mãe, que ficará com ela durante a cirurgia e a recuperação. O namorado também deverá voltar para ajudá-la.
Tabatta afirmou que chegou a pensar que a doença poderia ter sido identificada antes, mas disse acreditar que ainda está em tempo de tratar e ficar curada. A policial também reforçou a importância de acompanhar alterações já encontradas e buscar avaliação quando houver dúvidas.








