Uma análise internacional associou o uso de estatinas a uma redução de 15% no risco de desenvolver glaucoma. Os medicamentos são usados principalmente para controlar o colesterol alto, mas os resultados também indicaram menor progressão da doença entre pessoas já diagnosticadas.
Publicado no periódico médico British Journal of Ophthalmology, o estudo utilizou uma base global com informações de 165 milhões de pacientes. Os pesquisadores analisaram registros de consultas oftalmológicas periódicas e compararam 210 000 pessoas que tinham histórico de uso de estatinas com outras 210 000 que nunca haviam usado esses medicamentos.
O acompanhamento ocorreu ao longo de 20 anos, entre agosto de 2006 e agosto de 2026. No grupo que utilizava os remédios para o colesterol, foram registrados 4 771 novos diagnósticos de glaucoma. Entre os participantes que não tomavam estatinas, o total ficou em quase 5 500 casos.
O glaucoma é marcado por uma lesão no nervo óptico e pelo aumento da pressão dentro do olho. A doença pode comprometer a visão e está entre as principais causas de cegueira no mundo.
Em outra análise feita com a mesma base de dados, cerca de 30 000 pessoas com glaucoma e usuárias de estatinas foram comparadas a quase 250 000 pacientes com a doença que não tomavam os medicamentos. Nesse grupo, o uso das estatinas foi associado a menor risco de progressão e agravamento do quadro, além de menor necessidade de cirurgia e de tratamentos mais invasivos, como aplicações de laser.
Os pesquisadores destacam que o caráter observacional do estudo não permite estabelecer causa e efeito entre o uso das estatinas e uma possível proteção dos olhos. Os resultados, porém, sustentam a hipótese de que esses remédios tenham um efeito neuroprotetor, já que o glaucoma afeta o nervo óptico, responsável por transmitir sinais elétricos dos olhos ao cérebro.
Outras pesquisas também avaliam se medicamentos para o colesterol alto podem estar relacionados a menor risco de Alzheimer e de outras demências.








