O pelacarsen reduziu a concentração de lipoproteína(a), ou Lp(a), mas não evitou eventos cardiovasculares no estudo Lp(a)HORIZON. O ensaio acompanhou mais de 8.300 pessoas com doença cardiovascular e níveis elevados da partícula. O resultado foi comparado ao de um placebo.
A Lp(a) é semelhante ao LDL, conhecido como colesterol ruim, mas possui uma estrutura adicional. Ela pode se acumular nas artérias, contribuir para a formação de coágulos e acelerar a calcificação dos vasos e da válvula aórtica.
Os níveis são definidos quase inteiramente pelos genes e permanecem estáveis ao longo da vida. Por isso, a última Diretriz Brasileira de Dislipidemias, publicada em 2025, recomenda medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida adulta.
Uma em cada cinco pessoas no mundo tem estimadamente níveis elevados da partícula. Valores acima de 50 mg/dL ou 125 nmol/L são considerados agravantes de risco cardiovascular. Acima de 180 mg/dL, o paciente passa a ser classificado como de alto risco cardiovascular.
Até agora, não há medicamento disponível que reduza a Lp(a) de maneira comprovadamente útil. As estatinas, usadas no controle do colesterol, não diminuem essa partícula e podem elevá-la ligeiramente.
O pelacarsen, da Novartis, chegou a reduzir a Lp(a) em até 80%. No entanto, o estudo não identificou diminuição no risco de eventos cardiovasculares em comparação com o placebo. O resultado mostra que uma queda no exame não comprova, sozinha, benefício clínico.
Outros medicamentos continuam em avaliação. O olpasiran, da Amgen, e o lepodisiran, da Eli Lilly, são aplicados em intervalos de alguns meses e reduzem a partícula em mais de 90%. Os estudos OCEAN(a) e ACCLAIM-Lp(a) têm resultados previstos para 2028 e 2029. O zerlasiran também está em fase semelhante de desenvolvimento. Já o muvalaplin é investigado como o primeiro comprimido capaz de reduzir a Lp(a), em vez de uma injeção.
Enquanto os estudos não definem se essas reduções evitam infartos e derrames, o controle dos demais fatores de risco continua sendo recomendado. Isso inclui buscar metas mais rígidas de LDL, controlar pressão, açúcar e peso, não fumar e manter atividade física. A avaliação de familiares e, em casos selecionados, exames de imagem como o escore de cálcio coronariano também podem ser considerados.








