Uma sessão semanal de exercícios isométricos pode ajudar a manter por até quatro semanas parte da redução da pressão arterial obtida com o treinamento. As maiores quedas, porém, foram registradas entre os participantes que continuaram fazendo as atividades três vezes por semana.
Publicado na revista científica BMJ na terça-feira, 29, o estudo avaliou a resposta de 100 adultos, com idade média de 37 anos. Os voluntários tinham pressão arterial normal ou normal-alta, entre 120 e 140 mmHg, e não praticavam exercícios regularmente.
A pesquisa começou com quatro semanas de um mesmo programa, realizado em casa. Os participantes faziam quatro séries de agachamento isométrico na parede, com dois minutos de descanso sentado entre elas. A orientação era repetir a sequência três vezes por semana, com 48 horas de intervalo entre as sessões.
Depois desse período, os voluntários foram divididos em grupos com diferentes frequências. Um manteve três sessões semanais; outro passou a treinar duas vezes; um terceiro fez os exercícios uma vez por semana; e o último interrompeu a prática. Um grupo de controle também participou da pesquisa.
Resultados
Após as quatro semanas iniciais, todos os grupos que fizeram os exercícios apresentaram redução significativa da pressão sistólica, da pressão diastólica e da pressão arterial média em comparação com o grupo de controle.
Ao fim de oito semanas, os grupos que continuaram com uma ou duas sessões semanais mantiveram reduções significativas na pressão sistólica e na pressão arterial média, mas não na diastólica. A queda na pressão sistólica foi de 13,73 mmHg entre os participantes que treinaram três vezes por semana, de −6,95 mmHg no grupo de duas sessões e de −6,56 mmHg no grupo de uma sessão.
O grupo que treinou três vezes por semana também apresentou os maiores avanços nas funções vascular e autonômica. O estudo não identificou diferença significativa entre uma e duas sessões semanais. Já a interrupção fez com que os resultados deixassem de ser significativamente diferentes dos observados no grupo de controle após quatro semanas.
Os autores afirmam que pelo menos uma sessão por semana é necessária para preservar os benefícios, embora três sessões sejam recomendadas para obter reduções maiores e manter uma gama mais ampla de adaptações fisiológicas. Eles também apontam que períodos de treinamento de oito semanas ou mais podem provocar alterações vasculares estruturais, enquanto intervenções de até quatro semanas tendem a gerar adaptações funcionais que regridem rapidamente após a interrupção.
O estudo foi feito com pessoas sem hipertensão. Para quem tem a condição, os exercícios isométricos não substituem os medicamentos, mas podem ser usados como complemento. Os pesquisadores destacam que os resultados podem ser úteis para populações com baixa adesão ou tolerância limitada ao exercício. Uma limitação foi o acompanhamento da fase de manutenção por apenas quatro semanas.








