A alta hospitalar não significa, necessariamente, que o paciente já consiga retomar a rotina em casa. Depois de um acidente vascular cerebral (AVC), uma internação prolongada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma fratura ou outra condição grave, pode ser necessário manter o acompanhamento e as terapias para recuperar a autonomia.
Os hospitais de transição atendem justamente esse período entre a fase aguda da doença e a continuidade dos cuidados. A permanência pode se estender por semanas ou meses, conforme as condições clínicas e os objetivos definidos para cada pessoa.
Reabilitação e acompanhamento
Diferentemente do hospital geral, voltado a emergências, cirurgias e doenças que exigem intervenções imediatas ou de alta complexidade, o hospital de transição recebe pacientes clinicamente estáveis. O trabalho pode envolver recuperação funcional, preparação para a alta e orientação aos familiares.
A equipe pode incluir médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. A indicação considera o grau de dependência, o estado de saúde e as metas estabelecidas pela equipe responsável.
Entre os pacientes atendidos pela Florence, que tem unidades em Salvador e Recife, estão pessoas em recuperação após AVC, internações prolongadas em UTI, sepse e fraturas, especialmente de quadril e fêmur. Depois de uma longa permanência em UTI, por exemplo, pode haver perda de força e dificuldade para caminhar ou realizar tarefas cotidianas. O AVC também pode deixar alterações nos movimentos e na fala.
Cuidados paliativos
Além da reabilitação, algumas unidades oferecem cuidados paliativos especializados. Na Florence, esse atendimento pode ser destinado a pessoas com câncer em estágio avançado, insuficiência cardíaca avançada, doença pulmonar obstrutiva crônica grave, enfermidades degenerativas ou demência com sinais de fase final da vida.
Nesses casos, a assistência prioriza o alívio dos sintomas e a qualidade de vida, de acordo com as necessidades do paciente e da família. A transferência para esse tipo de hospital, portanto, também pode ocorrer quando o objetivo é conforto e controle dos sintomas, e não apenas a recuperação da independência.
A admissão costuma ser definida em conjunto pelo médico assistente, pelo paciente e pelos familiares. Quando há cobertura de plano de saúde, a operadora precisa fazer avaliação e aprovação técnica. O atendimento particular também é uma possibilidade.
A análise verifica o nível de independência anterior, as condições associadas, o motivo da hospitalização, os impactos na funcionalidade e o que se espera alcançar durante a internação. Também é avaliada a compatibilidade do quadro com a estrutura disponível, já que o hospital de transição não substitui pronto-socorro, UTI ou unidades para situações agudas.
Durante o processo, os familiares podem acompanhar o plano terapêutico e receber orientações sobre os cuidados que continuarão após a alta.








