A alegação de que Madre Teresa negava analgésicos a pessoas moribundas sob seus cuidados foi contestada por Jim Towey, advogado americano que trabalhou como assessor jurídico dela e das Missionárias da Caridade.
A crítica foi difundida principalmente por Christopher Hitchens, que visitou a casa para moribundos de Kalighat, em Calcutá, e depois questionou o atendimento oferecido no local. Hitchens afirmou que as irmãs se recusavam a fornecer anestésicos a pacientes em sofrimento.
Towey disse que essa avaliação desconsidera as condições da região no início dos anos 1980. Segundo ele, não havia morfina disponível em Calcutá, nem mesmo nos hospitais, e o fornecimento de medicamentos era irregular. Também afirmou que não havia um fluxo confiável de suprimentos médicos.
“Se [Madre Teresa] os tivesse, ela os usava”, disse Towey, referindo-se aos analgésicos. Ele afirmou que a religiosa estava “constantemente na linha de frente do alívio da dor e do sofrimento” e que fazia o possível com os recursos disponíveis.
Atendimento em Kalighat
De acordo com Towey, Madre Teresa recebia pessoas que estavam morrendo nas ruas, limpava os pacientes e oferecia conforto. Ele disse que parte deles morria e outra parte se recuperava e deixava o local.
Towey afirmou que a casa de Kalighat não era um hospital, mas uma unidade de cuidados paliativos. Também disse que a qualidade do atendimento médico e o alívio da dor melhoraram muito desde a visita de Hitchens. O advogado contou que esteve novamente no local em maio e percebeu uma mudança significativa.
Madre Teresa morreu após uma vida dedicada ao atendimento de pessoas pobres e foi canonizada em 2016. No aniversário de 10 anos da canonização, a discussão sobre os cuidados oferecidos em Kalighat permanece ligada às condições médicas disponíveis na época e à diferença entre uma casa de cuidados paliativos e um hospital.
Towey também afirmou que Madre Teresa tomava remédios para controlar dores crônicas nas costas e fraturas ósseas, incluindo uma fratura no ombro. Segundo ele, ela acreditava no sentido religioso do sofrimento, mas entendia que a Igreja incentivava o controle da dor. Para os pacientes, disse o advogado, ela buscava oferecer cuidado, amor e a percepção de que a dor não diminuía sua dignidade.








