Jim Towey, ex-assessor jurídico das Missionárias da Caridade, afirma que a falta de acesso a medicamentos, e não uma decisão ideológica, explicava a ausência de analgésicos fortes nas casas mantidas pela congregação em Calcutá, na Índia, no início dos anos 80.
As críticas foram associadas ao escritor Christopher Hitchens, que visitou uma casa para moribundos em Calcutá. Ele acusou as irmãs de recusarem anestésicos aos pacientes por razões ideológicas. Towey contesta essa interpretação e diz que medicamentos como a morfina não estavam disponíveis em Bengala Ocidental naquele período. A escassez também atingia hospitais locais, em meio a dificuldades nas rotas de suprimento, falta de investimento ocidental e restrições comerciais da política regional.
Madre Teresa não tinha como objetivo administrar hospitais de alta complexidade. De acordo com Towey, as casas funcionavam como centros de cuidados paliativos para pessoas sem outro lugar para ficar. A religiosa recolhia pessoas que estavam morrendo nas calçadas e oferecia limpeza, alimentação e acolhimento.
A proposta era garantir conforto, respeito e dignidade nos momentos finais, e não buscar a cura de doenças graves ou terminais. Towey afirma que a congregação mantinha o foco nos mais pobres, mesmo com a mudança das condições de atendimento.
Nas últimas décadas, a estrutura das Missionárias da Caridade teria melhorado. Relatos de visitas recentes indicam avanços no suporte médico e no controle da dor. A maior disponibilidade de insumos e a evolução tecnológica permitiram ampliar o alívio oferecido aos pacientes.
Towey também rejeita a ideia de que Madre Teresa defendesse a manutenção do sofrimento. Segundo ele, ela usava analgésicos para tratar dores crônicas nas costas e fraturas ósseas. Embora aceitasse o conceito de sofrimento redentor em sua fé, seguia a orientação da Igreja de controlar a dor sempre que possível.
A data de 4 de setembro de 2026 marca o 10º aniversário da canonização de Madre Teresa. Para Towey, o problema enfrentado pelas casas décadas atrás era a falta de acesso aos remédios, e não a recusa em medicar os pacientes.








