O orforglipron apresentou taxa semelhante à da insulina glargina para eventos cardiovasculares graves em pessoas com diabetes tipo 2 e excesso de peso. O resultado foi observado no estudo ACHIEVE-4, publicado na revista médica The Lancet e apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão.
Após cerca de dois anos, infarto, derrame, morte cardiovascular e internação por angina instável ocorreram em 4,2% dos participantes que tomaram o comprimido e em 5% dos que receberam insulina. O estudo acompanhou 2.749 pessoas; 86% tinham doença cardiovascular estabelecida e mais de um terço apresentava doença renal crônica.
Glicemia e peso
O medicamento oral, desenvolvido pela fabricante do Mounjaro e baseado em GLP-1, foi administrado diariamente, sem necessidade de jejum. Na comparação, dois em cada três pacientes alcançaram hemoglobina glicada abaixo de 7%, enquanto menos da metade atingiu a meta no grupo da insulina.
A diferença também apareceu na perda de peso. Uma redução de 10% ou mais ocorreu em 35,6% dos pacientes tratados com orforglipron, ante 4,4% entre os que usaram insulina. Já as hipoglicemias relevantes foram registradas em 6,8% e 19,2% dos grupos, respectivamente.
Efeitos adversos e disponibilidade
Náuseas, vômitos, diarreia e outros efeitos gastrointestinais afetaram 62% dos usuários do orforglipron, contra 14% dos participantes tratados com insulina. Esses sintomas foram o principal motivo para a interrupção do tratamento.
O orforglipron já foi aprovado para obesidade nos Estados Unidos e no Reino Unido. No Brasil, ainda depende da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da definição de preço.
A administração pode ser feita com um comprimido por dia, a qualquer hora. O estudo comparou o medicamento com a insulina glargina, aplicada diariamente por via subcutânea.








