PENSILVÂNIA — A cobertura da vacina contra o sarampo entre crianças americanas do jardim de infância caiu de 95,2% no ano letivo de 2019–2020 para 92,4% em 2025–2026. A redução deixou cerca de 280 mil crianças sem proteção adequada e ocorre enquanto a Pensilvânia registra mais de 900 casos da doença em 39 condados.
O departamento de saúde da Pensilvânia informou na quarta-feira, 30, que um morador do Condado de Lancaster morreu de sarampo. Com o novo registro, o número de mortes associadas à doença nos Estados Unidos em 2026 chegou a cinco. Não foram divulgados detalhes sobre a vítima. Segundo as autoridades estaduais, nenhuma das cinco pessoas mortas havia sido vacinada.
Divergência na contagem nacional
A contagem do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), principal agência de saúde pública do governo dos Estados Unidos, registra duas mortes associadas ao sarampo em 2026. A agência não informou em quais estados os casos ocorreram nem as datas das mortes.
Os Estados Unidos haviam eliminado a transmissão doméstica do sarampo em 2000. Nos últimos anos, porém, a vacinação caiu para menos de 95%, índice necessário para prevenir surtos. O texto-fonte relaciona esse cenário à desinformação, à disputa política e ao corte no financiamento de iniciativas locais voltadas à vacinação.
Risco de disseminação
Bernardo Maia, diretor do pronto-socorro e da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirmou que o risco de o vírus alcançar outros estados americanos e provocar novos surtos é alto. Para ele, a Pensilvânia já enfrenta transmissão comunitária sustentada em diferentes áreas, mas ainda não é possível afirmar que a doença voltou a ser endêmica no estado.
A transmissão só é considerada novamente endêmica em uma região anteriormente livre da doença quando uma mesma cadeia viral permanece por pelo menos 12 meses. Viagens e deslocamentos entre estados podem levar o vírus a outras comunidades, mas o impacto depende da quantidade de pessoas suscetíveis no local.
No Brasil, o sarampo deixou de ser considerado um problema de saúde pública em 2016, mas perdeu esse status em 2019 após a retomada da circulação do vírus. O estado de São Paulo chegou a 40 casos confirmados em 2026, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual.
A Secretaria de Saúde lançou uma campanha em televisão, rádio e veículos independentes para incentivar a população a verificar a situação vacinal e atualizar a caderneta. O tema é “A melhor prevenção é a vacinação”.
Crianças de 6 a 11 meses podem receber a dose zero em situações de risco aumentado de exposição ao vírus. A aplicação não substitui as doses de rotina.
A partir de 12 meses, a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses, e a segunda, aos 15 meses. Pessoas de 5 a 29 anos devem iniciar ou completar duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. Entre 30 e 59 anos, é indicada uma dose caso não haja comprovação de vacinação anterior.








