A Pensilvânia registrou a terceira morte relacionada ao sarampo em 2026, em meio a um surto que já contabiliza 676 casos confirmados e 124 hospitalizações. O caso ocorreu no condado de Jefferson, no oeste do estado, e foi divulgado no domingo, 13, pelo médico-legista local.
A vítima era uma mulher de 40 anos que não havia sido vacinada. O Departamento de Saúde da Pensilvânia ainda revisa o episódio conforme seus critérios epidemiológicos.
Até sexta-feira (11), havia registros da doença em 37 dos 67 condados do estado. Segundo o Departamento de Saúde estadual, somente quatro pessoas diagnosticadas tinham recebido a vacinação adequada para a idade.
Risco de transmissão entre estados
Bernardo Maia, diretor do pronto-socorro e da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirmou que o risco de o vírus alcançar outros estados é alto. A chegada a uma nova área, porém, não implica necessariamente o início de outra epidemia.
Para o infectologista, a quantidade de casos e a duração do surto indicam transmissão comunitária sustentada em diferentes áreas da Pensilvânia, com grupos suscetíveis capazes de manter novas cadeias de contágio. Isso não significa, por si só, que a transmissão endêmica tenha sido restabelecida: é necessário que uma mesma cadeia viral permaneça por pelo menos 12 meses.
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais transmissíveis. Viagens e deslocamentos podem levar o vírus a outras comunidades, mas o resultado depende da quantidade de pessoas suscetíveis no destino. Em locais com cobertura vacinal alta e homogênea, as cadeias tendem a ser interrompidas; bolsões de baixa vacinação podem favorecer a disseminação.
A atualização mais recente disponível do CDC apontava 3.134 casos confirmados nos Estados Unidos em 2026 até 3 de setembro, distribuídos por 47 jurisdições. Cerca de 95% dos registros estavam ligados a surtos.
Entre crianças do jardim de infância, a parcela que recebeu as duas doses recomendadas caiu de 95,2% no ano letivo de 2019–2020 para 92,4% em 2025–2026. O cenário deixou cerca de 280 mil crianças sem a proteção esperada, segundo os dados citados no levantamento.
Situação no Brasil
Apenas quatro dos 676 casos da Pensilvânia ocorreram em pessoas adequadamente vacinadas. Maia disse que o dado reforça a efetividade da vacina e mostra o impacto da falta de imunização na continuidade do surto. Duas doses da tríplice viral oferecem proteção de aproximadamente 97% contra o sarampo.
No Brasil, a doença deixou de ser considerada um problema de saúde pública em 2016, mas o país perdeu esse reconhecimento em 2019, depois que o vírus voltou a circular. Desde então, foram reforçadas a vacinação e a vigilância para evitar novos surtos.
Em São Paulo, o número de casos confirmados chegou a 30 no dia 9, conforme a Secretaria de Estado da Saúde. O balanço incluiu dois novos episódios em crianças com menos de 2 anos na capital paulista.
Quatro cadeias foram identificadas no estado em 2026. A primeira, relacionada a dois casos importados e registrada entre março e abril, foi encerrada após 12 semanas sem novas ocorrências. As cadeias identificadas em junho, julho e agosto continuavam sendo acompanhadas pelas equipes estaduais e municipais.
As ações incluem investigar os casos, localizar pessoas que tiveram contato com os infectados e avaliar a necessidade de vacinação de bloqueio. A secretaria também lançou uma campanha em TV, rádio e veículos independentes para incentivar a conferência da situação vacinal e a atualização da caderneta. O lema é: “A melhor prevenção é a vacinação”.








